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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Maioria, pretos e pardos recebem quase a metade do que brancos

Maior desigualdade de rendimentos entre brancos e pretos do País aparece em Salvador, a capital mais negra do Brasil. Analfabetismo é três vezes maior que entre brancos

Pela primeira vez na história dos censos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria da população brasileira se classificou como pertencentes às raças preta e parda. Mesmo assim, os rendimentos de pessoas dessas raças ainda seguem bem abaixo do que as registradas entre brancos e amarelos.

Pretos e pardos recebem quase a metade que brancos

Segundo os números divulgados nesta quarta-feira, os brasileiros que se dizem pertencer a raça amarela (orientais-asiáticos) recebem os melhores rendimentos mensais (R$ 1.574). Próximo aos amarelos estão os brasileiros de raça branca, com rendimento médio de R$ 1.538 por mês, quase o dobro do valor relativo aos grupos de pretos (R$ 834), pardos (R$ 845) ou indígenas (R$ 735).

De acordo com o Censo 2010, as maiores desigualdades entre os rendimentos médios e as raças estão nos municípios com mais de 500.000 habitantes. A diferença de rendimentos entre brancos e pretos são maiores na capital mais negra do País, Salvador (3,2), em Recife (3,0) e em Belo Horizonte (2,9). Entre brancos e pardos, São Paulo (2,7) aparece no topo da lista, seguida por Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre, onde brancos têm um rendimento 2,3 vezes maior do que pardos.

Segundo o estudo, dos mais de 191 milhões de habitantes do País, 91 milhões se classificaram como brancos (47,7%), 15 milhões como pretos (7,6%), 82 milhões como pardos (43,1%), 2 milhões como amarelos (1,1%) e 817 mil indígenas (0,4%).

País conhecido pela miscigenação, o Brasil também é marcado por algumas concentrações de raça. Das 20 cidades com a maior proporção de brancos, todas estão na região Sul. Santa Catarina (84%), Rio Grande do Sul (83,2%) e Paraná (70,3%) são os Estados com a maior proporção e brancos. Os Estados que possuem menos brancos estão na região Norte, com Roraima (20,9%), Amazonas (21,2%) e Pará (21,8%).

A Bahia é o Estado que tem a maior população que se declara como preta no Brasil, com 3,11 milhões de pessoas, 17,1%. Entre os pardos, os Estados com as maiores proporções são o Pará (69,5%), o Amazonas (68,9%) e o Maranhão (66,5%). Roraima tem a maior população indígena do Brasil (11%).

Alfabetização

No que se refere à alfabetização da população, nos últimos anos, houve uma diminuição das taxas de analfabetismo no País para todas as categorias de cor ou raça. Apesar disso, ainda existem grandes diferenças entre as regiões.

O Censo 2010 revela que a taxa nacional de analfabetismo no Brasil para as pessoas de 15 anos ou mais de idade é de 9,6%. Mas quando se é analisado entre os grupos de cor ou raça, os números se diferem bastante. Tanto os grupos de pretos (14,4%) quanto os de pardos (13,0%) mostram um percentual de analfabetos quase três vezes maior do que o dos brancos (5,9%).

Cidades com as maiores proporções de pessoas de cor ou raça branca Cidades com as maiores proporções de pessoas de cor ou raça preta Cidades com as maiores proporções de pessoas de cor ou raça parda Montauri/RS - 99,2% Antônio Cardoso/BA - 50,7% São João da Ponta/PA - 90,1%
Três Arroios/RS - 99,2% Lajeado/TO - 47,5% Jardim de Angicos/RN - 88,3%
Leoberto Leal/SC - 99,0% São Gonçalo Campos/BA -42,0% Anama/AM - 87,9%
Boa Vista do Sul/RS - 98,9% Conceição da Feira/BA - 41,3% Tracuateua/PA - 87,6%
Morrinhos do Sul/RS - 98,5% Cachoeira/BA - 40,7% Nhamunda/AM - 87,1%
IBGE

Cidades com as menores proporções de pessoas de cor ou raça branca Cidades com as menores proporções de pessoas de cor ou raça preta Cidades com as menores proporções de pessoas de cor ou raça parda
Uiramuta/RR - 0,9% Cunhataí/SC - 0,0% Montauri/RS - 0,6%
Normandia/RR - 4,1% Nova Candelária/RS - 0,0% Três Arroios/RS - 0,7%
Serrano do Maranhão/MA - 4,3% Leoberto Leal/SC - 0,1% Iomere/SC - 0,7%
Amatura/AM - 4,4% Witmarsum/SC - 0,1% Leoberto Leal/SC - 0,8%
Santa Isabel Rio Negro/AM- 4,5% Três Arroios/RS - 0,1% São Bonifácio/SC - 0,9%
IBGE

Fonte: Portal iG

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Professores estão excluídos do debate público sobre política educacional na América Latina, segundo pesquisa

*Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil


São Paulo – Os professores estão fora do debate público sobre a educação e suas vozes não estão presentes nas coberturas jornalística da América Latina, segundo pesquisa do Observatório da Educação feita em 18 jornais do continente. Foram analisadas mais de 1.200 reportagens de maio a julho deste ano. As matérias indicam que as políticas públicas implantadas, os novos temas, disciplinas e materiais para as aulas são modificados sem que os professores sejam consultados sobre a política educacional.

“O professor é sempre um personagem e nunca uma fonte para balizar a política pública. E a má qualidade do ensino é sempre atribuída a eles. Estão sendo responsabilizados, mas não têm seu direito de resposta”, disse Fernanda Campagnucci, editora do Observatório da Educação, que participou do lançamento de Rede pela Valorização dos Docentes Latino-Americanos, hoje (9), na capital paulista.

Segundo Fernanda, a análise indicou que entre os temas mais comentados nos jornais estão a qualidade, seguida dos sistemas de avaliação, problemas de infraestrutura e violência nas escolas. Depois aparece a questão das tecnologias de informação na educação. “Nesse caso, dependendo do enfoque, entra em conflito com o docente, porque tem problemas de informação e uma ideia de que o aluno não precisa do professor para aprender porque consegue aprender sozinho com o computador”. Outro problema destacado nas reportagens analisadas são as greves e paralisações.

A vice-presidente da Internacional de Educação da América Latina, Fátima Aparecida Silva, disse que no geral a categoria dos professores é composta principalmente por mulheres, que chegam a ser 80% no ensino infantil e médio, enquanto no superior há mais homens. Além disso, apontou que os professores estão envelhecendo ao redor do mundo, já que a média de idade é de 45 anos. “A profissão não atrai mais gente jovem. Nos últimos dez anos, os mais novos ficam cerca de quatro anos dando aula até encontrar outra ocupação melhor.”

A ausência de formação é presente em todos os países, assim como a fata de um processo de negociação que traga valorização para a profissão, com diferenças entre a zona rural e urbana, tanto na formação quanto na remuneração. “Quando conversamos com os professores que vivem o dia a dia da aula, percebemos que eles reclamam ainda do número excessivo de alunos em sala de aula e da falta de participação nas políticas públicas, além da ausência de plano de carreira e do ressentimento por serem culpados pela má qualidade educacional.”

A coordenadora do Comitê Diretivo da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (Clade), Camila Croso, disse que tem notado a tendência de desvalorização dos trabalhadores da educação, além do desprestígio e do processo de culpabilização e criminalização. “São tendências muito preocupantes, mas há também processos de resistência a tais tendências. Mas se sobressai o conjunto desvalorização, desprestígio e criminalização.”

Ela destacou ainda a tendência à privatização traduzida no nome de parcerias público-privadas, que aponta para outro lado, procurando ser atrativa. Disse também que há um marcante discurso sobre resultados na aprendizagem que não avalia os rumos da educação, mas dentro do foco de escola como fábrica de seres homogêneos montados para o mercado de trabalho.

“Esse sistema de ranqueamento é preocupante porque o resultado é medido sobre o quê? Aí voltamos ao ponto de partida que é perguntar para que serve a educação. Toda análise parte do aluno homogêneo que tem que responder ao mercado de trabalho”, assinalou Camila.

Ele também reforçou que há uma criminalização de professores e até dos alunos. “Há uma perda de noção do coletivo, porque há ataque aos sindicatos. Assim individualiza os professores e coloca o sistema de avaliação com prêmio e castigo. Desvaloriza o professor, porque leva a política de ensinar para o teste, para ir bem na prova. Adapta o currículo, se articula como o não protagonista do fazer pedagógico.”.

Guillermo Williamson, da Universidad de La Frontera, do Chile, disse que em seu país a educação apresenta cifras de desigualdade e que não há gratuidade para o ensino. Lá, as universidades são pagas ou se têm bolsas de estudo para os pobres. “No Chile, 40% dos jovens podem ir à Universidade, mas se a família tem dois filhos precisa escolher qual deles pode ir ter o ensino superior”.

Segundo ele, assim como no Brasil. os jovens estão desistindo de ser professores por conta da precarização do ensino. “Temos que trabalhar fortemente na educação pública estatal e podemos buscar a gestão social com cooperativas mistas com o Estado”. Para ele é preciso retomar a função do professor, que em sua avaliação é ensinar os alunos e ser um mestre. Além disso ele destacou que é preciso que o professor recupere sua autoridade em sala de aula.
Edição: João Carlos Rodrigues
Fonte:Agência Brasil



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Educação Integral: o que isso significa para os estudantes?

Plano prevê ampliação da jornada escolar em 50% das instituições da rede pública até 2020

Educação Integral demanda maior diálogo entre educadores e estudantes
11 de agosto é o Dia Nacional do Estudante

O Plano Nacional de Educação 2011/2020, em tramitação no Congresso Nacional, tem como meta implementar o ensino em tempo integral em 50% das escolas da rede pública do Brasil até 2020. Se a meta for aprovada, haverá muito trabalho pela frente. De acordo com o Censo Escolar 2010, no ano passado apenas 4,7% das matrículas da rede pública foram para a Educação Integral. Além da necessidade de estruturar as escolas para que elas possam oferecer atividades de qualidade com a ampliação da jornada, outro desafio é tornar as horas a mais na escola - e nos outros ambientes da Educação Integral - atraentes aos estudantes.

Para o coordenador geral de ações educacionais complementares do Ministério da Educação (MEC), professor Leandro Fialho, uma das formas de fazer com que os estudantes não vejam o tempo a mais na escola como algo chato, é criar espaços de diálogo, inclusive na hora de decidir quais atividades oferecer. “As políticas públicas são feitas para que haja um protagonismo das crianças, dos estudantes nas escolhas das atividades. Se elas não apresentarem consonância com os interesses deles, pode acontecer uma evasão alta”, afirma.

A importância da Educação Integral

Segundo a coordenadora do Programa de Educação do Unicef Brasil, Maria de Salete Silva, aumentar a jornada deve significar repensar o tempo da escola, o que a criança faz e como o professor articula a aprendizagem e todas as atividades que são ofertadas. Assim, a Educação Integral deve ser pensada de forma que complemente o aprendizado do estudante, proporcionando um amplo desenvolvimento humano, mas sem deixar de lado o currículo formal.
A diretora do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais (CP/UFMG), Tânia Margarida Lima Costa, conta que o CP começou a implementar a Educação Integral este ano, e já é possível perceber algumas mudanças positivas nos estudantes. “Eu tenho percebido na conversa com alunos e pais que os estudantes estão mais envolvidos com a escola. Há uma mudança de comportamento no sentido de aproveitar as oportunidades de aprendizagem”, relata.

As atividades

Quando uma escola começa a implementar a Educação Integral, há uma mudança na rotina de todos os envolvidos. “O professor tem que planejar. Se ele tinha como ênfase a leitura de texto e aumentou a carga horária, não dá pra trabalhar só com a leitura, tem que pensar em atividades que são mais interativas”, explica Tânia Margarida Lima Costa.

Tânia conta que a escolha das atividades é baseada principalmente no que os professores percebem que os estudantes precisam, como reforço em determinada disciplina ou atividades de socialização para favorecer a interação entre os estudantes. “Nossa referência foi o que os professores apontaram sobre as necessidades dos meninos. O ideal é a gente fazer esse levantamento e trabalhar tanto com o que eles precisam, quanto com o que eles gostariam”, afirma.

Leandro Fialho considera fundamental a realização de atividades que abordem assuntos relacionados à comunidade e ao dia-a-dia dos estudantes. “Isso favorece a participação do estudante e influencia na sala de aula porque ele vai desenvolvendo a autonomia para debater as questões do cotidiano. Isso rompe com aquela escola que a gente não deseja, em que o aluno é um sujeito passivo. Ela dá autonomia para que eles passem a opinar sobre o que está acontecendo na sala de aula”, afirma.

Experiência em Escola Integrada

Quando perguntado quais atividades gostaria de ter durante o tempo a mais que fica na escola, Leonardo José, de 12 anos, já tem a resposta na ponta língua: “natação. Todo mundo ia entrar. Culinária ia ser bom também, eu chegava em casa e ia poder cozinhar”. Leonardo é estudante da sexta série da Escola Municipal Alcida Torres, no bairro Taquaril, em Belo Horizonte e, desde o ano passado, participa do projeto Escola Integrada.

A monitora da oficina de artesanato e auxiliar da professora comunitária da Escola Alcida Torres, Mércia Carneiro, reconhece que é difícil atender a todos os pedidos dos estudantes até por questão de estrutura para as atividades. Porém, ela garante que sempre há um diálogo com eles explicando porque uma proposta foi atendida ou não.

Mércia relata que já foram realizadas algumas atividades em virtude do interesse dos estudantes. “Sempre que os alunos reivindicam, a coordenadora passa para o oficineiro. A questão da sexualidade é muito aflorada na adolescência e as meninas estavam com muitas dúvidas. Aí a gente fez uma semana de trabalho com eles”, explica. Os oficineiros deixaram uma caixinha para que os estudantes colocassem as dúvidas anonimamente e, no final da semana, a caixa foi aberta e as perguntas respondidas.

SUGESTÕES DE FONTES- Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)
Maria de Salete Silva, coordenadora do Programa de Educação do Unicef
(61) 3035-1983 - assessoria de comunicação
-Ministério da Educação (MEC)
Leandro Fialho, coordenador geral de ações educacionais complementares (MEC)
(61) 2022-7520 / 7530
-Tânia Margarida Lima Costa, diretora do Centro Pedagógico da UFMG
(31) 3409-5183
- Escola Municipal Alcida Torres
Mércia Carneiro, monitora da oficina de artesanato e auxiliar da professora comunitária na Escola Alcida Torres
Estudantes que participam do projeto Escola Integrada na Alcida Torres
(31) 3277-7481
INFORMAÇÕES
Oficina de Imagens
Eliziane Lara / Gabriella Hauber
(31) 3465-6801
(Fonte: Oficina de Imagens)

Fonte: Portal ANDI Comunicação e Direitos

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fundação Abrinq - Save the Children lançou campanha contra mortalidade infantil

A campanha Por Todas as Crianças foi apresentada durante coletiva de imprensa, no dia 5 de outubro, na sede da Fundação Abrinq - Save the Children às 14 horas. Na ocasião, foi entregue um estudo com informações e indicadores mais recentes sobre mortalidade infantil, na infância e materna. A meta é de que os Objetivos do Milênio 4 e 5 da ONU sejam alcançados e, que as taxas de mortalidade infantil (0 a 1 ano), na infância (0 a 5 anos) e a mortalidade materna sejam reduzidas até 2015.

Especialistas da Fundação estiveram disponíveis para perguntas.

Realizada em mais de 25 países, a ação que tem como lema Nenhuma Criança Nasce para Morrer, é alinhada com os objetivos de desenvolvimento do milênio quatro e cinco da ONU. Em nosso País, o objetivo é reduzir as mortalidades infantil (0 a 1 ano), na infância (0 a 5 anos) e materna.

De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, em 2009 morreram no Brasil 50.033 crianças de 0 a 5 anos, isto é, 137 crianças por dia. E o mais preocupante: 33.604 ocorreram por causas evitáveis. Por esta razão e disposta a lutar pela diminuição desses números, a Fundação Abrinq – Save the Children desenvolveu a campanha Por Todas as Crianças, iniciativa que apresenta a necessidade de uma diminuição na taxa de mortalidade de crianças menores de 5 anos por doenças facilmente evitáveis.

No Brasil, a Campanha será desenvolvida em âmbito nacional. No entanto, a região priorizada como polo da Campanha será o Semiárido Nordestino que, somando esforços com o Programa Criança com Todos os Seus Direitos, buscará diminuir os índices de mortalidade materna, neonatal e infantil em uma das regiões mais pobres do país.
Mais informações no site da campanha Por Todas as Crianças.
(Fundação Abrinq)
Fonte: Portal ANDI Comunicação e Direitos

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Como ensinar seu filho a ser uma 'criança-cidadã'

Dar o exemplo é a principal maneira de mostrar às crianças como elas podem – e devem – se comportar socialmente

Criança-cidadã: espírito de equipe e respeito podem ser passados desde cedo

Dentro e fora de casa, inevitavelmente, o comportamento dos pais influencia o dos filhos. Se você não está consciente disso, pense nas seguintes situações: será que pedir para a criança contar uma mentirinha ou deixar um carrinho de supermercado atrapalhando a passagem de outros veículos são bons exemplos? Se quiser criar uma criança socialmente boa, que respeita os outros, a resposta é não.

Segundo a educadora Adozinda Kuhlmann, que recebeu o título de Cidadã Paulistana em 2007, aos seus 90 anos, os exemplos que os pais dão funcionam muito melhor do que as regras. “Nós nascemos para conviver, e respeitando as pessoas com quem você convive, o sentimento social de todos ao redor acaba se aprimorando”, revela.

Informação, debate e exemplo

Para que uma criança adote uma postura socialmente correta e viva bem em sociedade, primeiramente é preciso que os pais reflitam sobre o assunto. Segundo Daniela de Rogatis, coordenadora da Companhia de Educação , que auxilia pais na educação dos filhos, a criança vai acompanhar o modo como os pais se comportam na vida social. “Meu filho não será gentil se eu não for gentil, se a gentileza não for um valor dentro de casa”, diz. Por isso, ela explica que quando tal comportamento passa a fazer parte do dia a dia da criança, ele passa a ser natural para ela.

No entanto, o tratamento dos pais para com os filhos também faz uma grande diferença. A psicóloga infantil Beatriz Otero, da Clínica Multidisciplinar Elipse , diz que não adianta apenas dizer ao seu filho, por exemplo, que é feio mentir. “Se ele se comporta de uma maneira errada, o ideal é conversar, explicar a situação, as consequências daquele comportamento”, explica.

De acordo com Cláudia Porto, editora do Mingau Digital , site criado para crianças, pais e professores, famílias que aceitam qualquer comportamento de um filho não estão contribuindo para que ele cresça emocionalmente saudável. “E muito menos para que ele tenha uma vida feliz quando adulto”, completa.

Levar questões de sustentabilidade para dentro de casa pode proporcionar à criança uma noção maior de respeito à diversidade e ao meio ambiente. “O que é sustentável pode ser abordado em diversos aspectos, principalmente a questão do consumo, de como lidamos com as coisas dentro de casa”, afirma Rogatis. Você sempre trata lixo como lixo ou aproveita a caixa do brinquedo para outra coisa? Se uma criança aprende que tudo pode ser aproveitado, ela passa a incorporar esta noção. Assim, os pais abrem mais espaço para discutir sobre o que é ser socialmente saudável.

Fora de casa

Para uma criança adotar uma atitude generosa em relação ao mundo, é preciso que os pais tenham paciência e deem importância para o assunto. Porém, há diversas iniciativas que também podem ser tomadas, como mostrar à criança que não somente os pais agem de determinada forma, mas pessoas que estão no meio social em que ela vive, seja professores, pais dos amigos, outros parentes. “Uma tia que se oferece para ensinar a empregada a ler, um avô que ajuda a consertar brinquedos, isso tem um valor inestimável para a criança”, revela Porto.

Além disso, ele indica que, se for possível, é bom envolver a criança num projeto social ou ambiental. “Mas tem que ser um projeto que ajude a resolver um problema, e não assistencialista”, explica. Por exemplo: participar de um mutirão para limpar a praia, plantar mudas em áreas degradadas, ajudar a pintar um orfanato. Segundo a especialista, atitudes como estas farão com que a criança se sinta bem e ficará mais fácil para elas adotarem essa prática.

Se a escola que a criança estuda também procura ensiná-los sobre o que é socialmente benéfico e se preocupa com projetos sócio-ambientais, é mais uma oportunidade para a criança refletir sobre as responsabilidades que deve ter no meio em que vive. Com três filhos pequenos de diferentes idades – nove, seis e cinco anos –, Rogatis conta que eles também estão inseridos neste aprendizado; e também levam reflexões para dentro de casa. “Na escola eles obtêm bons exemplos, como a questão da economia de água que eles incorporaram e trouxeram para casa”, afirma. Ela acredita que, em alguns aspectos, eles refletem até melhor do que os adultos sobre que conduta deve ser tomada.

Respeitar a criança

Segundo Adozinda Kuhlmann, é preciso ter conhecimento do seu filho para passar para ele valores bacanas. “Os pais precisam respeitar e saber o que se passa com o filho sempre”, afirma. Se ele também for respeitado, será mais fácil respeitar o próximo.

Além disso, ela explica que não adianta querer cercear a criança, ficar em cima para que ela faça isso ou aquilo. “É preciso explicar o que acontece, as razões para aquilo e as consequências dos atos”, completa.

Com o trabalho das escolas, ONGs e até mesmo da mídia, as crianças hoje estão mais informadas sobre as questões da cidadania. “Elas estão num ambiente que proporciona oportunidade para ser socialmente melhor”, afirma Rogatis. Mas os pais também devem aproveitar este momento para refletirem sobre o próprio papel no tema e, assim, passarem uma postura mais sustentável para os filhos – sempre com naturalidade.

6 dicas práticas

- Adote um animalzinho carente. Isso ensina a criança desde cedo a ter mais compaixão e a cuidar do próximo

- Dê o exemplo primeiro. Não adianta xingar as pessoas no trânsito e depois exigir que o seu filho não xingue o amiguinho

- Ensine o seu filho a cuidar das coisas – guardar os brinquedos, arrumar a casa no fim do dia, não jogar coisas boas fora

- Leve a criança com você quando for ajudar uma ONG ou doar os brinquedos delas para crianças carentes

- Recicle o lixo, não gaste muita água, não deixe luzes acesas à toa – tudo isso acaba virando hábitos socialmente saudáveis para seu filho

- Seja gentil sempre que possível: dê lugar aos mais velhos na fila, ajude alguém que esteja perdido na rua, não maltrate garçons ou atendentes (ainda que algo tenha saído errado)
Fonte: Portal iG

''Vivemos a derrota do neoliberalismo e a tragédia da esquerda'', afirma Negri

“Chegamos a um momento que a produção se tornou cada vez mais imaterial. Sempre haverá uma necessidade de elementos ou momentos hierárquicos para que o valor produzido possa ser coletado e classificado, mas já não há nenhuma necessidade da propriedade privada como centro da produção e do desenvolvimento”. O comentário é do Antonio Negri em entrevista ao grupo espanhol autogestionário La Tabacalera. A tradução é de Haroldo Gomes e reproduzido em seu blog, 08-10-2011.

Eis a entrevista.

O que você sabe do 15-M?

Tenho ouvido falar muito do movimento, como qualquer outro. Tenho amigos que participam do mesmo desde o início. Nasceu de forma espontânea, mas para avaliá-lo melhor teremos que esperar um pouco.

O que é pior nessa crise, a recessão econômica ou a desilusão ideológica que provocou?

A crise é verdadeiramente profunda. Poder-se-á sair dela, mas não será imediatamente, apenas quando houver uma mudança profunda. É uma crise nova por diferentes aspectos. É evidente que está modificando as abordagens ideológicas. As ferramentas que o capitalismo tem para sair da crise não são suficientes. No momento não temos meios para superá-la e devemos pensar em novas maneiras de escapar dela. Por enquanto, as idéias existentes estão um pouco embaçadas. Parece-me lógico e necessário que nasçam diferentes pontos de vista opostos ao capitalismo, como o 15-M. Mas devemos refletir sobre esses movimentos para ver aonde nos levam.

Qual é a alternativa ao sistema capitalista, que demonstra não estar interessado no benefício social?

Está claro que o desempenho do mercado caiu. Nos anos oitenta se pensava que o sistema capitalista de mercado era o único caminho, mas o sistema neoliberal está revelando sua verdadeira cara, a da tragédia mesma para o próprio mercado. Esses mecanismos capitalistas são terríveis no campo da desigualdade. A hierarquia do poder capitalista introduz o declive dos estados e da civilização ocidental. Devemos pensar na superação do mercado e das atuais condições entre países ricos e países pobres, e acabar com as injustiças das condições da economia do desenvolvimento.

Diante dos pactos da política com o banco, em que estado de vulnerabilidade se encontra o cidadão?

Hoje o banco e o financeiro não são a cara feia do capitalismo porque são o capitalismo mesmo. Não existe o capitalismo sem o banco, não existe o capitalismo sem as finanças. Hoje não existe possibilidade de pensar num mítico capitalismo industrial, não existe o pequeno empreendedor que emprega pessoas. O Estado hoje está totalmente condicionado pelos mecanismos financeiros, que o absorvem por completo, de modo que não se pode pedir aos governos que nos salvem das finanças porque eles são os representantes das finanças.

Que papel tem o cidadão nessa situação crítica: deve sair à rua ou esperar que volte a normalidade?

O cidadão deve pensar e defender seu próprio destino. Apenas a capacidade de reorganizar a democracia o salvará. A democracia deve se renovar desde um órgão constituinte novo porque as Constituições existentes estão baseadas na propriedade privada. Devemos mudar as Constituições. Chegamos a um momento que a produção se tornou cada vez mais imaterial. Sempre haverá uma necessidade de elementos ou momentos hierárquicos para que o valor produzido possa ser coletado e classificado, mas já não há nenhuma necessidade da propriedade privada como centro da produção e do desenvolvimento. Tem que modificar o conceito mesmo de desenvolvimento. A produção já não pode estar voltada apenas para o lucro. Deve passar a frente, a produção do ser humano pelo ser humano. A propriedade privada não pode governar a democracia. A riqueza não deve seguir sendo como até agora. Já não serve produzir para ganhar, mas para partilhar.

Agora que você mencionou, como se imagina essa mudança das constituições dos estados, de forma radical, moderada?

Existem muitas experiências, violentas e tranquilas. Os métodos se inventam, não existem métodos predeterminados. Os estados estão completamente em crise. O Estado nunca quis ceder sua soberania, mas finalmente cede, por desgraça, às finanças. Como cidadão deve conquistar sua soberania? Provavelmente mediante um processo muito cansativo e longo. Podemos imaginar que haverá violência, enfrentamentos e conflitos. Quem está no poder não quer abandoná-lo e quem não tem o poder quer se apropriar dele.

Então, você crê que um movimento que saia às ruas a protestar ajuda a reforma da qual está falando?

Creio que sim porque um movimento, chamado Maio de 68 ou indignados ou acampados, incide sobre uma cena global que provocará o início das discussões. Não vai nos tirar da crise, logo, mas ajudará a refletir como sair dela. Construir-se-ão idéias novas sobre a representação, sobre a presença dos cidadãos, o modelo de cultura e dos instrumentos de comunicação e intelectuais relacionados com os recursos informáticos.
Todavia, os cortes do gasto social são tão graves que parece que o novo modelo de Estado que se avizinha tem pouco a ver com o que você indica. Na verdade, surge um muito mais cruel.
Quando falamos de superar o mercado, nos referimos a impor o imposto sobre heranças, de expropriar os ricos. O problema é muito simples. Não é difícil! Trata-se de decidir se se está de um lado ou de outro: seguir com um mercado que não funciona ou inventar uma nova linha de ação que está por chegar. A única coisa que estamos seguros é de que, se o mercado continua marcando as pautas, a crise continuará sempre para pior. Assim, trata-se de inventar uma saída que não é a que passa pelo massacre dos inocentes desse crise.

Você sente falta da tradição marxistat da revista Quaderni Rossi’ [Cadernos vermelhos], dos anos sessenta?

A saber, aquela tradição operária foi profundamente transformada nos anos setenta. A nova produção imaterial, intelectual, capitalista acabou com ela. Essa transformação deixou muito atrás a tradição marxista do Quaderni Rossi, éramos muito jovens então [risos].

Neste mundo, é possível outra Autonomia Operaia [Autonomia Operária]?

Hoje em dia não sei o que significa a categoria operária. A categoria do proletariado é uma extensão enorme. Hoje o problema realmente grave é a ausência de autonomia do desenvolvimento dessa figura social e de sua própria subjetividade. São homens e mulheres que querem ser mais livres e que não querem viver sem imaginação, sem criatividade, sem alegria. Essa é a principal discussão: a revolta contra o mercado deve ser a exaltação da singularidade e da liberdade. Liberdade, verdade e igualdade.

Agora que você citou, desapareceu do debate a preocupação em acabar com a desigualdade em favor do desenvolvimento da liberdade?

As forças do mercado se impuseram desde o início dos anos setenta: quando Nixon e Kissinger desvincularam o dólar do padrão ouro. Por outro lado, está o documento da Comissão Trilateral, no qual se diz que a democracia deve marcar os limites do liberalismo. Mas, isso se sabe desde sempre, só os jornalistas mudaram o significado da palavra liberdade para liberalismo.

Diante de um panorama como o que você descreve, o que a esquerda tem que fazer para ser capaz de reconduzir essa crise?

A esquerda está completamente absorvida pelo mecanismo do mercado e aterrorizada diante da tessitura de ter que sair desses mecanismos do próprio mercado para poder seguir sendo esquerda. Hoje vivemos a derrota do neoliberalismo e a tragédia da esquerda. Trata-se de inventar uma esquerda nova, que dê espaço a uma nova forma de pensamento. Tem que se reinventar a comunidade porque essa sociedade está dividida em duas categorias irreconciliáveis: ricos e pobres. Deve-se construir uma nova política.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Cada sistema de ensino vai escolher como usar hora a mais

MEC não quer mais disciplinas na ampliação da jornada escolar para cinco horas/dia. Proposta para o Congresso não definirá modelos

O debate sobre a ampliação da jornada de aulas nas escolas brasileiras promete ser longo ainda. O Ministério da Educação já anunciou que quer aumentar em uma hora por dia o turno escolar no País e está formulando uma proposta de concretização da medida para enviar ao Congresso Nacional. O texto, que está sendo elaborado por técnicos da pasta com a ajuda de gestores municipais e estaduais, no entanto, deixará lacunas para serem respondidas depois.

O ministro Fernando Haddad disse em setembro que gostaria de ampliar o tempo que as crianças e os adolescentes brasileiros passam na escola. A proposta inicial era aumentar o número de dias letivos anuais. Segundo o ministro, a “pouca exposição a conhecimento” dos estudantes prejudica o aprendizado. Na última semana, o MEC promoveu uma reunião entre professores, gestores, parlamentares e especialistas sobre o tema.

É a partir das discussões dessa reunião que um grupo de trabalho – formado por técnicos do MEC e representantes de gestores municipais e estaduais – definirá a proposta oficial que vai para o Congresso Nacional. Ouvidos pelo iG, integrantes desse grupo contaram que o texto final não definirá, por exemplo, como as escolas devem utilizar essa “hora extra”.

A ideia é que opções sejam oferecidas, mas cada sistema de ensino escolha o modelo que mais se adequar à própria realidade. Entre as sugestões colhidas na reunião técnica estão: trabalhos de projetos interdisciplinares, aulas de reforço ou atividades culturais. “Ninguém quer mais tempo para as crianças copiarem mais coisas do quadro. Precisamos reinventar o tempo escolar. O grande debate deve ser em torno de qual projeto educativo cada escola quer traçar”, afirma Jaqueline Moll, diretora de Currículos e Educação Integral do MEC.

Segundo Jaqueline, o MEC vai sugerir que as escolas sigam as orientações do Conselho Nacional de Educação (CNE) para a educação integral na elaboração de seus projetos pedagógicos. O ministério não enviará um projeto de lei sobre o tema para o Congresso Nacional. Como já existem projetos tramitando na Câmara e no Senado sobre o tema, o MEC enviará um parecer ao deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) sobre o tema.

Lelo conta que há dez projetos sendo analisados em diferentes comissões do Congresso sobre a ampliação da jornada escolar. O deputado unirá as propostas e apresentará um substitutivo. O parecer do ministério, segundo ele, servirá como mais um subsídio. “Só houve um consenso na reunião: o de que não deveríamos aumentar os dias letivos. Acho que o ideal seria apresentarmos um conjunto de opções para que as escolas possam se adaptar a um deles”, diz.

O deputado admite que há muitos detalhes ainda para serem definidos. “Ninguém é contra mais tempo na escola, mas as visões gerais são muito díspares. Quero ouvir experiências que estão funcionando antes de fechar a proposta”, afirma Coimbra.

Adaptação em três anos

A presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, que participa do grupo de trabalho do MEC, conta que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está fazendo um levantamento de quantas redes de ensino já oferecem as 1 mil horas anuais de aulas. De acordo com Cleuza, há muitos municípios que oferecem essa jornada ampliada já. “Precisamos saber o que falta para as outras redes implantarem também”, comenta.

Só com esses dados o grupo deve fechar o relatório. A expectativa dela é terminá-lo em novembro e encaminhar ao Congresso antes do recesso parlamentar. Ela conta que os gestores pediram aos parlamentares para não “inventarem mais disciplinas” para ocuparem essa hora a mais de aulas. “Temos de respeitar a autonomia dos sistemas. Mas não podemos ter mais disciplinas. Ouvir os educadores e os gestores nesse processo é fundamental”, afirma.

Para Cleuza, o prazo de adaptação que deve ser colocado na lei é de três anos. No máximo, pode ser ampliado para cinco. Mas ela ressalta, porém, que o aumento deve ser gradativo e só poderá ser concretizado com mais investimentos. “Infraestrutura é fundamental para isso. Temos de ter escolas para todos e ainda não temos. Aposto muito no Plano Nacional de Educação para isso”, diz.

Estrutura escolar

O horário de aulas das 11h às 15h, chamado de turno da fome e ainda praticado por muitos municípios para atender a demanda de alunos, terá de acabar. “É inaceitável que ainda haja alunos com menos de quatro horas diárias de aulas. Teremos de fazer um esforço para enfrentar as dificuldades que esses municípios e Estados enfrentam para acabar com esse turno”, ressalta a diretora do MEC.

Outra preocupação de quem participa das discussões é como garantir esse tempo maior de carga escolar para os estudantes do ensino noturno. Todos concordam que é impossível aumentar a carga horária diária. “Ainda não temos uma resposta sobre o que fazer no turno da noite. Precisamos discutir inclusive o que já é feito hoje, temos de pensar numa forma de dar significado ao ensino noturno”, admite Jaqueline.

Na opinião de Cleuza, é preciso rediscutir todo o planejamento para quem estuda à noite. Ela lembra que muitas redes têm matriculado adolescentes de 15 anos em cursos noturnos e não deveriam. Esse é mais um ponto que ficará aberto para discussões dentro do Congresso.
Fonte: Portal iG