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"Quando começares a tua viagem para Ítaca, reza para que o caminho seja longo, cheio de aventura e de conhecimento...enquanto mantiveres o teu espírito elevado, enquanto uma rara excitação agitar o teu espírito e o teu corpo." ...Konstantinos Kaváfis,trad.Jorge de Sena in Ítaca
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Minha idade é assunto meu

O peso psicológico e social dos aniversários pode ter um impacto limitador na vida das pessoas. A solução é se livrar dos estigmas

Carina Martins, iG SP

A recusa da jornalista Glória Maria em revelar sua idade já se tornou célebre. Para ela, isso não é assunto. Mas as pessoas continuam perguntando e querendo avaliar se ela está "bem" para a faixa etária, seja lá o que isso signifique. E, enquanto perguntam, nos últimos dois anos a jornalista tirou um período sabático, reorganizou sua carreira, namorou e tornou-se mãe. Não é pouca coisa em nenhuma fase da vida. Na semana passada, fez aniversário: 61 anos( a matéria em tela é de 22/08/2010).

http://gente.ig.com.br/materias/2010/08/16/gloria+maria+comemora+seus+61+anos+em+shopping+carioca+carolina+dieckmann+tambem+celebrou+os+3+anos+do+filho+jose+por+la+9564859.html, supostamente.Será que teria feito tanta coisa se tivesse passado o mesmo período contando aniversários e com medo da faixa oficial da "terceira idade"?


AgNews
Gloria Maria caminha pela orla com as filhas e não dá satisfação sobre sua idade
Sim, os números podem causar tanto ou mais impacto psicologicamente do que na quantidade de rugas. "Depende da forma como as pessoas encaram as coisas. Nossa sociedade valoriza a juventude e as datas acabam pesando. Quantas garotas que chegam aos 30 anos solteiras me procuram desesperadas e se casam com o primeiro tonto que aparece?", diz a psicóloga Olga Tessari, autora do livro "Dirija Sua Vida Sem Medo" (Ed. Letras Jurídicas).

A ideia de que existem coisas permitidas, proibidas e obrigatórias direta e exclusivamente relacionadas à idade cronológica pode causar danos que vão desde escolher um marido qualquer, como no caso das pacientes de Olga, até prejuízos reais à saúde. Um estudo realizado pela North Carolina State University mostrou que idosos tinham um desempenho muito pior em testes de memória quando tinham sua idade apresentada como um fator relevante. Aqueles que diziam acreditavam que idosos tinham memória ruim iam ainda pior.


Agnews/Wallace Barbosa
Gloria Maria brinca com as filhas na orla do Leblon, Rio de Janeiro
Para evitar um desgaste desnecessário além dos inevitáveis cabelos brancos (que, como qualquer outra consequência de envelhecimento, chegam para cada um em idade e quantidade diferente), Olga sugere que as pessoas, especialmente as mulheres, se permitam descartar o julgamento que os outros podem fazer da data impressa em seu RG. "A pessoa que vive em função da idade na verdade está preocupada com a opinião dos outros. Quem não revela a idade ou não pensa nisso pouco se importa com o que os outros falam", diz. Não se importa com o que os outros falam nem com as metas estabelecidas externamente para cada faixa etária.

Mas mentir o número de aniversários é ainda pior. "Se você mente, é porque tem medo da crítica do outro", alerta a psicóloga. A solução, portanto, seria fazer como Gloria Maria e tratar a idade como assunto realmente pessoal. "Ou assumir e deixar claro que se os outros acham que você deveria estar fazendo na sua idade não te interessa", diz.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Solidão ou solitude?


Estar desacompanhado pode ser o céu ou o inferno: depende da disposição para se encontrar consigo mesmo

Verônica Mambrini, iG SP |

Uma viagem solitária faz você ficar mais próximo de si mesmo. E ainda que você esteja num local deserto, o sentimento de solidão fica longe”, diz o ex-advogado Arthur Simões, 29 anos. Ele sabe do que está falando: por 3 anos e dois meses, pedalou pelo mundo. Foram 35 mil quilômetros percorridos e uma boa parte do tempo, Arthur esteve sozinho. “Atravessei regiões desérticas ou mesmo países em que não cruzava com pessoas que falassem qualquer um dos idiomas que eu conheço. No Atacama, passei dias e dias sem ver ninguém”, conta.

Arthur Simões
Arthur Simões em Bolívia, no Salar de Uyuni. Nos três anos da viagem, ele passou longos períodos sem companhia

Acostumado a praticar ioga e meditação, ele garante que foi tranqüilo. “Uma viagem solitária inevitavelmente leva você para um mergulho interior. E as pessoas nem sempre estão interessadas nesse tipo de questionamento. O mundo vira um espelho onde você vê o seu reflexo”, afirma.

Esse sentimento experimentado por Arthur dificilmente se assemelha com nossa visão de senso comum de solidão, mas se aproxima da definição que o Dicionário Houaiss dá de “solitude”, uma variante da palavra ‘solidão’, com foco nos seguintes aspectos: retiro, isolamento, privacidade, reclusão, mas sem sofrimento ou angústia.

Na volta da viagem, em 2009, Arthur levou cerca de um ano para se readaptar à rotina, restabelecer amizades, contatos, rotinas. “Talvez minha viagem tenha sido solitária para eu descobrir que o bem mais precioso são meus amigos.” É como se os períodos de solidão ajudassem a viver melhor na companhia dos outros.

Para Hélio Deliberador, professor do Departamento de Psicologia Social da Pontifícia Universidade de São Paulo, é necessário e saudável estar só. “É uma condição humana essencial. São momentos em que você é retirado da situação peculiar dos homens que é de ser com os outros”, diz. “A gente nasce ligado ao outro, somos gestados dentro de alguém, ligados pelo cordão umbilical. Mas no momento final da vida a gente faz o caminho contrário, em direção à morte, que é solitário”, diz. Esse tipo de solidão, contudo, é diferente, do estado de isolamento ou de alheamento, por retraimento ou inibição, que gera sofrimento.

Mesmo em tempos de redes sociais com centenas de amigos e excesso de estímulos e informação, o sentimento de solidão bate forte nessa época do ano(Natal, Ano Novo).

“Isso acontece porque vínculo significa qualidade, não quantidade”, afirma Deliberador. “Na internet, por exemplo, posso ter uma rede de amigos extensa, mas não significa que eu tenha um contato qualitativamente saudável com o outro.” Ou seja, não é o número de pessoas ao redor que define se alguém é ou não solitário, mas a sua capacidade de criar vínculos.

Estar sozinha foi uma experiência tão boa para a doutoranda em lingüística Maíra Avelar, 27 anos, que ela vive agora o dilema contrário: como lidar com a divisão de espaço.

Depois de morar sozinha por 4 anos, casou-se e está aprendendo a se adaptar ao outro. “Eu preciso muito da minha privacidade, adorava morar só”, conta. “Para quem nunca teve o sonho de se casar e nunca viu casamento como realização, é difícil abrir mão de ser sozinha”, afirma. “Eu sou bem sociável, tenho muitos amigos e não fico isolada, mas preciso muito do meu tempo e de espaço para estar comigo”, diz.

Casada há 3 meses, Maíra está se adaptando à convivência intensa, já que, além de viverem juntos, ela e o marido trabalham em casa, num home office.

Embora curta estar só, ela reconhece que não é para qualquer um. “Sozinho, você tem que se confrontar consigo mesmo. Pensar sobre sua vida fica inadiável e não tem em quem descontar frustrações”, afirma.

“É um tipo de solidão muito positiva, que leva você a se reconstruir e a enxergar o seu papel nas relações em que vive. A gente não é nem um pouco estimulado a isso. No geral, as pessoas têm tanto medo de ficar sozinhas que nem experimentam.”

A psicanalista Diana Corso lembra que a solidão é uma experiência recente na história da humanidade. “Se sentir sozinho depende de se sentir isolado do contexto. No mundo pré-individualismo, não existia isso. Você estava o tempo todo com Deus, com a família”, afirma.
Ela define a solidão como essa sensação de não ter importância, de não ter um lugar no mundo ou no coração dos outros – até a crença em um anjo da guarda, por exemplo, cria uma sensação de amparo. “A ideia de transcendência faz você se sentir menos só.”

A experiência de estar sozinho se torna incômoda justamente por nos colocar em contato com o que temos de repertório interior. Num mundo acelerado e repleto de estímulos de consumo é fácil sentir que temos pouco. “A sensação que se tem é de constante insuficiência. Como se o que temos por dentro não fosse validado pelo mundo, como se fosse muito pouco”, lembra Diana.

Não à toa, muitas pessoas não conseguem se desligar das redes sociais, do celular, da presença constante de amigos e da família nem mesmo para atividades prosaicas, como ir ao cinema ou fazer uma refeição. Assim como a psicoterapia, a solidão é um exercício de aprender a valorizar o que se tem. Melhor ainda se ela for uma pausa para o retorno ao estado de estar junto, como acredita Deliberador.

“Pela nossa natureza, temos sempre outros no cenário, é da nossa natureza construir relações de amor e amizade. Não tem sentido uma festa que a pessoa faz para ela mesma.” Mas a festa é melhor quando a casa está arrumada.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Por uma sociedade melhor, meninos deveriam brincar de boneca e de casinha



Tenho dado bonecas de pano de presente para filhos de alguns amigos. Há algumas lojas que vendem brancas, negras, indígenas, asiáticas.

Diante do estranhamento dos pais (“Ah, mas ele é menino!”), tento explicar que brincar de boneca e de casinha deveria ser algo incentivado a ambos os sexos.

Formaríamos homens mais conscientes e menos violentos se eles entendessem, desde cedo, que cuidar de bebês, cozinhar, limpar a casa não são tarefas atreladas a um gênero, mas algo de responsabilidade do casal. Não há nada mais anacrônico do que tomar como natural que o homem deve sair para caçar e a mulher ficar cuidando da tenda no clã. Em alguns países, após um período inicial de licença maternidade básica, o casal escolhe quem continua fora do trabalho para cuidar do pimpolho. Podem decidir, por exemplo, que ele ficará em casa e ela irá para a labuta.

Enquanto isso, damos armas e espadas de brinquedo para os meninos. Dia desses, vi um par de pequeninas luvas de boxe expostas em uma loja – para lutadores de seis anos. Evoluímos como sociedade, mas continuamos fomentando a agressividade entre eles como se fosse algo bom. A indústria de brinquedos, com raras exceções, trabalha com essa dualidade “meninas precisam aprender a cuidar da casa e ficar bonitas para os meninos” e “meninos precisam aprender a governar o mundo”. Quem quer romper com isso encara certa dificuldade para encontrar produtos.

O filho de um amiga ganhou de presente um kit de panelinhas, prato e talheres de brinquedo. Ele adora. Mas foi duro encontrar um modelo que não tivesse estampas com desenhos de meninas. Isso sem contar as caixas, que trazem garotas brincando de cozinha, como se o produto não pudesse ser utilizado por garotos também. Isso sem falar dessa imbecilidade de que rosa é cor de menina e azul de menino. Quando alguém começa a defender esse maniqueísmo pobre, dá uma preguiça…

Brinquedos não deveriam trazer distinção de gênero. Ou como diz uma imagem que estava correndo o Facebook: “Como saber que um brinquedo é para menino ou para menina?” E faz uma pergunta: “Vibra?” Se a resposta for sim, não é para crianças. Se a resposta for não, vale para ambos os sexos.

O homem é programado, desde pequeno, para que seja agressivo. Raramente a ele é dado o direito que considere normal oferecer carinho e afeto para outro ser em público. Ou cuidar de bebês e da casa. Manifestar sentimentos é coisa de mina. Ou, pior, é coisa de “bicha”. De quem está fora do seu papel. Papel que é reafirmado diariamente: dos comerciais de produtos de limpeza em que só aparecem mulheres sorrindo diante do novo desentupidor de privadas até a escolha de determinados entrevistados por nós jornalistas, que também dividimos o mundo entre coisas de homem e de mulher. “Ah, mas o mundo é assim, japa.” Não, não é assim. Nós que não deixamos ele ser diferente.

Homens que trabalham no Brasil gastam 9,5 horas semanais com afazeres domésticos, enquanto que as mulheres que trabalham dedicam 22 horas semanais para o mesmo fim. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Com isso, apesar da jornada semanal média das mulheres no mercado ser inferior a dos homens (36 contra 43,4 horas, em termos apenas da produção econômica), a jornada média semanal das mulheres alcança 58 horas e ultrapassa em mais de cinco horas a dos homens – 52,9 horas – somando com a jornada doméstica. Ou 20 horas a mais por mês. Ou dez dias por ano.

A análise mostra também que 90,7% das mulheres que estão no mercado de trabalho realizam atividades domésticas. Enquanto isso, entre nós homens, esse número cai para 49,7%. Porque brincar de casinha é coisa de menina.

Trabalho doméstico não é considerado trabalho por nossa sociedade, mas sim obrigação, muitas vezes relacionado a um gênero, que tem o dever de cuidar da casa. Às vezes, o casal trabalha fora e, nesse caso, terceiriza-se o serviço doméstico para outra mulher, seja ela babá, faxineira ou cozinheira. Sem, é claro, garantir a elas todos os direitos trabalhistas porque, até o Congresso Nacional aprovar nova lei, são cidadãs de segunda classe. E, diante da possibilidade de pagar direitos trabalhistas a quem faz o trabalho doméstico, a classe média pira.

A disputa é no campo do simbólico e, portanto, fundamental. Todos nós, homens, somos inimigos até que sejamos devidamente educados para o contrário. E os brinquedos que escolhemos para nossos filhos fazem parte dessa longa caminhada a fim de garantir um mínimo de decência para com o sexo oposto.

Abaixo, vídeo de uma sensacional campanha do governo do Equador contra o machismo que traduz em imagens o que quero dizer:



AS PONTES DE MADISON (The Bridges of Madison County)

Filme para ver ou rever. Maravilhoso!



No verão de 1965, enquanto o marido e os filhos estão viajando, Francesca Johnson (Meryl Streep), uma fazendeira de Iowa, recebe a inesperada visita do fotojornalista da National Geographic Robert Kincaid (Clint Eastwood). Ele pede informações sobre as pontes de Madison, as quais deverá fotografar profissionalmente. Francesca fornece as informações, mas acaba se envolvendo com Kincaid. O romance é tão intenso quanto rápido: dura apenas quatro dias. Quando os filhos descobrem o amor secreto da falecida mãe, passam a questionar seus próprios casamentos.

 

FICHA TÉCNICA
Diretor: Clint Eastwood
Elenco: Clint Eastwood, Meryl Streep, Annie Corley, Victor Slezak, Jim Haynie, Sarah Kathryn Schmitt, George Orrison, Kyle Eastwood, Debra Monk, Phyllis Lyons.
Produção: Kathleen Kennedy, Clint Eastwood
Roteiro: Richard LaGravenese
Fotografia: Jack N. Green
Trilha Sonora: Lennie Niehaus, Clint Eastwood
Duração: 135 min.
Ano: 1995
País: EUA
Gênero: Romance


Música:

Lennie Niehaus - The Bridges of Madison County - Doe eyes


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Sexo combina com amizade?


Alguns acreditam que os prejuízos são grandes e outros defendem essa idéia

Regina Navarro Lins

Júlia vive um grande conflito em relação à sua amizade com Sávio: “Somos amigos e confidentes há muitos anos. Acho até que ele é a pessoa em quem mais confio. No final do ano passado, Sávio disse que sente tesão por mim e que se eu também sentir por ele, não vê motivo para não fazermos sexo. Na hora, achei que não tinha nada a ver. Mas agora tenho pensando nisso. Meu único medo é que, se transarmos, a nossa amizade acabe.”

Muitos têm a mesma preocupação que Júlia. Pensando nisso lancei a pergunta no meu site: É possível misturar sexo com amizade? Esta questão e as respostas obtidas fazem parte do livro “A Cama na Rede”, que lancei no final do ano passado.

Alguns acreditam que os prejuízos são grandes:

“Será que alguém consegue manter uma amizade, só amizade, sem que a relação sexual com o amigo torne-se um amor grande e profundo? Duvido! Se nesta relação houver um ardor muito grande e uma união carnal voluptuosa, a coisa ‘esquenta’ e não permanece puramente no plano das visitas ocasionais. Onde entra o sexo, pelo menos no caso feminino, as emoções crescem e a necessidade de um pelo outro também. Torna-se então muito difícil esperar que o telefone toque ou que ele a procure.”

“Estou vivendo uma relação de amizade e sexo e uma coisa eu digo: no começo é tudo maravilhoso, só que eu descobri que não quero só amizade. Além de tudo ele é casado e eu sei que vou sofrer bastante para sair desse relacionamento. Sei também que perdi o amigo.”

“Acredito que é muito difícil misturar amizade e sexo. Quando amigos decidem manter relações, as cobranças vêm como consequência. O grande problema é: como começar a namorar outra pessoa sem abalar a amizade? Neste momento estou vivendo isso: transo com minha melhor amiga e quero namorar outra pessoa. Estou sem conseguir raciocinar.”

“Quem é que disse que amizade e sexo podem se misturar? Ridícula essa ideia. Uma coisa jamais combinou com a outra, por mais que as ideias ‘modernosas’ de hoje tentem negar isso. Qualquer ser humano sabe que se você tem amizade com alguém e transa com esta pessoa, a amizade fica esquisita.”

Outros defendem essa ideia:

“Eu fiz sexo com um amigo e foi ótimo, ele se mostrou um excelente amante, além da segurança de se estar com alguém conhecido.”

“Já tive sexo com um grande amigo. Acredito que amor e sexo são dois sentimentos que nem sempre estão juntos, portanto, podemos ter só amizade por uma pessoa e desejá-la sexualmente. Pode-se levar esta amizade tranquilamente, sem preconceitos e cobranças, pelo resto da vida, desde que haja sempre o alicerce principal entre os dois envolvidos que é sem dúvida nenhuma, o respeito.”

“Tenho um relacionamento sexual intenso com um grande amigo. É perfeitamente possível não abalar a amizade. Há muito respeito entre nós, somos amigos e somos grandes amantes, mas uma coisa não atrapalha a outra. Não há cobrança, só respeito e amizade.”

“Eu tenho uma amiga de confidências, e já transamos algumas vezes. Temos uma atração física muito forte e quando nos encontramos, dependendo das circunstâncias, vamos para a cama. Mas somos totalmente independentes e respeitamos se o outro arrumar namorado (a), o que está ocorrendo no momento. Ela está namorando, mas mesmo assim somos bons amigos. Sabemos que se o namoro terminar podemos voltar para a cama. Assim é muito bom, sem compromisso social, que é o grande vilão nos relacionamentos dos casais.”

“Tenho um ótimo amigo... nos conhecemos na faculdade. Há seis anos ele tem uma namorada. Também tenho namorado, mas quando estou sozinha o procuro para conversar e sempre a gente acaba transando. Ele não me liga no outro dia, porque somos somente amigos. Nossa amizade é linda e eu o adoro. Na minha festa de casamento ele vai estar lá! Sempre será meu amigo. E pode ser que a gente continue a transar.”

****

Apesar de as mentalidades estarem mudando, muitos ainda acreditam que quem mistura amizade com sexo perde o amigo e o amante. É uma ideia muito difundida, que tem como origem a associação que se faz entre amor romântico e sexo. Há quem defenda que para haver sexo é necessário se estar vivendo um romance com tudo o que ele inclui: ciúme, possessividade, pavor que o outro se interesse por alguém, medo de ser trocado.

Essa crença de que amor e sexo têm que estar sempre juntos atinge principalmente a mulher. O homem não foi educado para ter que juntar as duas coisas. Muitas mulheres defendem que é da natureza feminina só desejar sexo quando existe amor, em mais uma manifestação de apoio à limitação da sexualidade da mulher.

Na realidade, amor e sexo são impulsos totalmente independentes, e é possível se experimentar prazer sexual pleno totalmente desvinculado das aspirações românticas.

Entretanto, ninguém pode esquecer que existe muito amor nas relações de amizade verdadeira. Não a mentira do amor romântico – que prega que os dois se transformam num só e que nada mais no mundo interessa –, mas aquele amor em que os amigos participam da vida uns dos outros, discutem seus problemas, suas questões existenciais, são solidários e são até mais importantes do que uma relação amorosa tradicional.

Entretanto, nem sempre se tem desejo sexual por um amigo. Como em todo amor, pode haver desejo ou não. Mas se houver? Qual o problema?


A amizade corre sérios riscos se um dos dois criar uma expectativa de relação com o outro diferente da amizade que sempre houve. Só porque há sexo, a pessoa se acha com o direito de controlar a vida do amigo, ser ciumenta, cobrar coisas. Nenhuma relação resiste a isso, ainda mais a de amizade, que se caracteriza justamente pela ausência de obrigações. O que ocorre é que muita gente pensa que é livre, que não está mais presa aos modelos que exigem um comportamento igual para todo mundo, mas de repente se descobre insegura, desejando uma relação tradicional. Não sabendo bem como explicar seus sentimentos, sai por aí dizendo que amizade e sexo não podem se misturar.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tomates verdes fritos


Lindo  para ver ou  para  rever...

O filme é baseado no romance Fried Green Tomatoes At the Whistle Stop Cafe, de Fannie Flagg.

Título Original:
Fried Green Tomatoes

Sinopse: 
Evelyn Couch (Kathy Bates) é uma dona de casa emocionalmente reprimida, que habitualmente afoga suas mágoas comendo doces. Ed (Gailard Sartain), o marido dela, quase não nota a existência de Evelyn. Toda semana eles vão visitar uma tia em um hospital, mas a parente nunca permite que Evelyn entre no quarto. Uma semana, enquanto ela espera que Ed termine sua visita, Evelyn conhece Ninny Threadgoode (Jessica Tandy), uma debilitada, mas gentil senhora de 83 anos, que ama contar histórias. Através das semanas ela faz relatos que estão centrados em uma parente, Idgie (Mary Stuart Masterson), que desde criança, em 1920, sempre foi muito amiga do irmão, Buddy (Chris O'Donnell). Assim, quando ele morreu atropelado por um trem (o pé ficou preso no trilho), Idgie não conseguia conversar com ninguém, exceto com a garota de Buddy, Ruth Jamison (Mary-Louise Parker). Apesar disto Idgie era bem doce, apesar de nunca levar desaforo para casa. Independente, ela faz seu próprio caminho ao administrar uma lanchonete em Whistle Stop, no Alabama. Elas tinham uma amizade bem sólida, mas Ruth faz a maior besteira da sua vida ao se casar com Frank Bennett (Nick Searcy), um homem estúpido que espanca Ruth, além de ser secretamente membro da Ku Klux Klan. Inicialmente Ruth tentou segurar a situação, mas quando não era mais possível Idgie foi buscá-la, acompanhada por dois empregados. Idgie logo dá a Ruth um emprego em sua lanchonete. Por causa do seu jeito de se sustentar sozinha, enfrentar Frank e servir comida para negros no fundo da lanchonete, Idgie provocou a ira dos cidadãos menos tolerantes de Whistle Stop. Quando Frank desapareceu misteriosamente muitos moradores suspeitaram que Idgie, Ruth e seus amigos poderiam ser os responsáveis.

Elenco principal
Kathy Bates.... Evelyn Couch
Mary Stuart Masterson.... Idgie Threadgoode
Mary-Louise Parker.... Ruth Jamison
Jessica Tandy.... Ninny Threadgoode
Cicely Tyson.... Sipsey
Chris O'Donnell.... Buddy Threadgoode
Stan Shaw.... George
Gailard Sartain.... Ed Couch
Tim Scott.... Smokey Lonesome
Gary Basaraba.... Grady Kilgore
Lois Smith.... Mãe Threadgoode



Tomates verdes fritos inteiro e dublado



Trilha sonora

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Universalização da pré-escola traz grandes desafios aos prefeitos até 2016



Crédito: Banco de imagens

Até 2016, os municípios brasileiros terão um grande desafio: universalizar o atendimento na pré-escola para todas as crianças de quatro e cinco anos. Os prefeitos devem garantir a implementação da emenda constitucional 59 (lei nº 11.274), que define a educação básica obrigatória dos quatro aos dezessete anos. Para atingir tal objetivo, os gestores que assumiram as prefeituras neste ano terão que assegurar a todos os munícipes o direito à educação infantil, o que não engloba só a construção de novas escolas.

A professora e presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação – Undime do Rio Grande do Sul, Márcia Carvalho, acredita que o primeiro grande desafio é o trabalho de conscientização da comunidade para que matricule as crianças na escola quando completarem quatro anos. “A educação infantil também é importante para a formação das crianças. A luta pela universalização da pré-escola é antiga e seu maior objetivo é deixar as crianças cada vez mais cedo e por mais tempo dentro das escolas”, explicou.

Para tanto, segundo Carvalho, o primeiro passo é mapear as crianças moradoras do município que tenham essa faixa etária, verificar a taxa de natalidade e prever um crescimento populacional. “Os prefeitos devem pensar lá na frente, fazendo estatísticas para que o número de vagas possa atender plenamente as crianças até 2016.” De acordo com os dados divulgados em 2012 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef, no Brasil, ainda há cerca de 1,4 milhão de crianças de quatro e cinco anos fora da escola.

Entretanto, este não é o maior problema que os municípios enfrentarão. “O maior desafio é, ainda, a busca por recursos financeiros. O gestor público terá que buscar recursos não só para a construção de escolas de educação infantil, mas também para a manutenção. Afinal, uma instituição de ensino deve ter profissionais qualificados, professores com formação superior, infraestrutura adequada e segura, alimentação, entre outros fatores exigidos por lei”, contou. De acordo com o Censo Escolar 2011, dos 408.739 professores da pré-escola, apenas 232.626 possuem ensino superior e estão habilitados a lidar com crianças nesta faixa etária.

Segundo a Secretaria de Educação Básica – SEB do Ministério da Educação – MEC, o governo federal atende a demanda por recursos por meio de seus programas voltados à educação infantil. Um deles é o Programa Nacional de Reestruturação e Aparelhagem da Rede Escolar Pública de Educação Infantil – Proinfância, que prevê a construção de 5,5 mil creches e pré-escolas até 2014. Até o momento existem 1.195 instituições concluídas ou em fase de conclusão. Para 2013, está previsto investimento em mais 1,5 mil creches e escolas de educação infantil.

O município interessado em se beneficiar do Proinfância deve informar esta necessidade em seu Plano de Ações Articuladas – PAR e encaminhar eletronicamente os documentos pertinentes, via Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação – Simec. “O Proinfância é um dos mais eficazes programas de captação de recursos para a educação infantil”, informou Carvalho.

Além dele, os grupos que recebem o Bolsa Família, que têm em sua composição crianças de até seis anos de idade, podem pedir o benefício do Brasil Carinhoso, que reforça a transferência de renda  e, com isso, fortalece a educação com o aumento de vagas nas creches. Mais informações podem ser encontradas napágina do governo federal.

Há também o Programa Nacional de Educação do Campo – Pronacampo, que oferece apoio técnico e financeiro aos estados e municípios para implementação da política de educação do campo, desde a educação infantil até o ensino médio. O programa trabalha a educação contextualizada, promovendo a interação entre o conhecimento científico e os saberes das comunidades.

As prefeituras que se interessarem em buscar recursos do governo federal para a implementação de novas escolas podem procurar outros programas na página http://programasparamunicipios.portalfederativo.gov.br/.

Por Luana Costa / Blog Educação