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Por ser muito antigo o quadro de comentário do blog, ele ainda apresenta a opção comentar anônimo, mas, com a mudança na legislação

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A Vida num Dia

Com 26 realizadores, 80 mil clips de vídeo e 4.500 horas de material, tinha todo o potencial para ser uma bagunça. Em vez disso, o documentário "Life in a Day" é tão profundo, intenso e inspirador quanto o seu assunto – a vida, mais especificamente a vida no dia 24 de Julho de 2010. O filme foi produzido por Ridley Scott e reúne vídeos curtos colocados no Youtube pelos usuários do canal. Estreou-se no Youtube em 31 de Outubro de 2011, depois de ser exibido em festivais. É uma visão abrangente do mundo, como o vemos e como o apreendemos. 1h30 que merece a sua atenção:

http://youtu.be/JaFVr_cJJIY


By xatoo

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Rankings, escolas e contextos (I) e (II)

Análise crítica do ranking de escolas públicas e particulares portuguesas e a respectiva realidade sócio-economico-cultural: serviços públicos, conforto, localização e facilidades de contexto em Portugal. A partir da análise em questão podemos traçar, guardadas as devidas proporções, um paralelo com a situação no Brasil.
Extraído do blog Ladrões de Bicicletas.
Rankings, escolas e contextos
(I)


A publicação do ranking de escolas deu lugar, uma vez mais, às parangonas mediáticas e às análises fraudulentas do costume, como bem aqui assinalou o Ricardo Paes Mamede. Com honrosas excepções (em que se procura ir além das preguiçosas sentenças histriónicas, aduzindo explicações para os resultados), foi ver os meios de comunicação social à cata da «nata», salivando por identificar os melhores estabelecimentos de ensino: «Colégios continuam a dominar o ranking», escrevia o Sol; «Melhor escola do país é privada», sentenciava a TVI24; «Saiba em que lugar ficou a escola do seu filho», aconselhava o Expresso.

Tudo portanto como se as escolas fossem escolas sem as suas circunstâncias. Como se da comunicação social se não devesse esperar mais do que cumprir a função de um comentador desportivo, sentado na meta, a relatar uma espécie de prova de ciclismo (em que o asfalto, as sinuosidades e os declives do trajecto são iguais para todos). Em última instância (é esse o pressuposto latente que prevalece), como se os resultados dependessem, exclusivamente, das escolas, do desempenho dos seus professores e dos seus órgãos de gestão. Por isso, o critério e unidade de análise dos rankings é sempre o da própria escola (como se esta não estivesse vinculada a um território concreto, com características económicas, sociais e culturais específicas, que se reflectem inexoravelmente nos resultados escolares alcançados).

Ora, se analisarmos os dados dos rankings numa lógica territorial, convertendo para uma escala percentual as respectivas notações de resultados dos exames (0 a 5 no básico e 0 a 20 no secundário), e agregando de forma ponderada os valores obtidos pelas escolas em cada concelho (clicar no mapa para ampliar), obtemos padrões de distribuição que traduzem afinal, de modo muito claro, os desiguais níveis de desenvolvimento económico, social e cultural do país. Isto é, que mostram uma continuidade espacial dos melhores resultados num litoral mais urbanizado, com maiores níveis de instrução da população, com maior poder de compra e com maior acesso a bens culturais (note-se, aliás, que, nos concelhos do interior norte e centro e do sul, são em regra as capitais de distrito, ou concelhos com cidades médias, que escapam ao padrão de resultados negativos, abaixo da média nacional).

Os rankings constituem portanto, fundamentalmente, um retrato do próprio país e das suas diferenças de desenvolvimento, mais do que uma suposta capacidade intrínseca e vontade autónoma das escolas para alcançar (ou não) bons resultados escolares, como nos querem convencer os comentadores moralistas. Aliás, o que deverá ser considerada uma boa escola? Aquela que, situada num meio privilegiado, atinge resultados que a colocam no topo do ranking ou aquela que, posicionada no segmento final da ordenação hierárquica, obtém apesar de tudo resultados que superam as expectativas iniciais, tendo em conta as características sócio-económicas e culturais do meio em que se insere?

(II)


No post anterior, procurei demonstrar como uma análise dos rankings que não esteja centrada nas escolas, mas sim nos contextos em que as mesmas se inserem, permite perceber a importância que estes assumem para explicar os resultados obtidos. Isto é, a tendência para que se atinjam melhores níveis de sucesso educativo em territórios com indicadores de desenvolvimento económico, social e cultural mais elevados.

O que se passa a nível concelhio verifica-se igualmente quando agregamos e ponderamos os dados à escala das NUTS III (clicar no mapa para ampliar). Mais uma vez, é a faixa do litoral Norte e Centro (da Grande Lisboa ao Minho Lima) que se destaca, estabelecendo um padrão espacial contínuo com os melhores resultados dos exames nacionais. Em contraste, portanto, com os valores registados na quase totalidade das NUTS do interior Norte e Centro e nas NUTS a Sul do Tejo (em média, o Norte e Centro litoral obtêm um resultado nos exames nacionais de 53,6%, registado as restantes NUTS III do país um valor médio de 49,7%).

A circunstância de os contextos sócio-espaciais determinarem em larga medida os resultados escolares permite-nos ainda assinalar uma razão incontornável (para além da selecção de alunos que a generalidade das escolas privadas pratica), para explicar as diferenças entre as classificações médias obtidas pelos estabelecimentos da rede pública (51,2%) e do ensino privado (59,4%).


De facto, se mapearmos a distribuição das escolas privadas e das escolas públicas pelas NUTS III do continente (clicar no mapa para ampliar), verificamos que o ensino privado se concentra justamente na faixa litoral Norte e Centro (onde se situam 80% dos colégios e escolas privadas). Ou seja, num conjunto de NUTS que oferece à partida, do ponto de vista dos contextos sócio-económicos de proveniência dos alunos, condições mais favoráveis para a obtenção de elevados níveis de sucesso escolar. Aliás, é na Grande Lisboa e no Grande Porto que se localiza quase metade (45%) do universo de escolas privadas. A rede de ensino público, por sua vez, apresenta uma distribuição territorial mais equilibrada, com apenas cerca de 56% dos seus estabelecimentos a localizar-se na faixa Norte e Centro litoral e somente 26% a situar-se na Grande Lisboa e no Grande Porto.

Além de desmontar o mito de uma suposta supremacia «genética» do ensino privado, esta análise permite assinalar um outro aspecto crucial, relativo à importância do princípio de cobertura territorial inerente aos serviços públicos e que desaconselha experimentalismos como o cheque-ensino. O direito à educação, que o Estado consagra e assegura através de uma rede territorial de estabelecimentos de ensino, não pode nem deve tornar-se dependente da existência de escolas cujo princípio de localização decorre demonstradamente mais do conforto que as «facilidades de contexto» para obter bons resultados propiciam do que da garantia de acesso à escola a todas as crianças e jovens do país.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Portfólios são ferramentas que podem melhorar o ensino

por Bruno Capelas, da Agência USP

Estudo acompanhou educadores em escolas de Carapicuíba, em São Paulo.

Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Educação (FE) da USP sugere a utilização de portfólios como um instrumento de pesquisa e reflexão dos professores. “Não se trata apenas de uma pasta para guardar atividades, mas sim de uma ferramenta que o educador tem para enxergar melhor seu ensino”, diz o professor de artes Antonio Costa Andrade Filho, autor do estudo. Para Andrade, os portfólios, que podem conter exercícios, fotos, gráficos de rendimento e mapas de aprendizagem, são um espaço diferenciado para o docente, que, na sua visão, “não deve ser apenas um executor de projetos, mas sim autor de suas próprias aulas e discussões”.

A pesquisa O Uso de Portfólios na Formação do Professor Reflexivo-Pesquisador, orientada pela professora Heloísa Dupas Penteado, foi realizada entre 2007 e 2009, acompanhando 15 professores do ensino fundamental II em três escolas de Carapicuíba, município da Grande São Paulo em cuja Oficina Pedagógica Andrade é professor coordenador. Em cada escola, os responsáveis pelas disciplinas Língua Portuguesa, Artes, Geografia, História e Educação Física foram acompanhados por Andrade. “Fizemos o estudo com professores que já faziam portfólios previamente, mas apenas para armazenamento das atividades”, diz.

Três movimentos

No começo da pesquisa, como já dito, os portfólios eram usados apenas como arquivo. “Não havia seleção ou reflexão sobre os trabalhos utilizados”, diz Andrade, que nomeia essa fase do projeto como linear. Durante o desenvolvimento da pesquisa, após as primeiras orientações, os professores passaram a pensar mais sobre suas aulas. Nos momentos finais do trabalho, porém, o pesquisador explica que “tudo passa a ser uma situação de pesquisa. Qualquer ambiente pode ser estudado dentro do ensino, e o professor passará a construir conhecimento sobre um todo”, em um momento que ele próprio classifica como rizomático.

De acordo com depoimentos dos professores, a prática surtiu efeito. “Eles indicaram que houve mais interesse por parte dos alunos nas aulas. Uma idéia que foi bastante interessante foram os concursos de redação e fotografia, fazendo com que os professores utilizassem novos recursos em sala e os alunos quisessem participar das atividades”, diz o pesquisador.

Andrade avalia que sua iniciativa possa ser estendida a todos os professores da rede pública. “Tratam-se de profissionais que têm pouca condição de pesquisar e planejar suas aulas, devido às condições desfavoráveis, como salários baixos e muito trabalho”. Ele ainda completa que seria possível a adoção de iniciativas como essa em larga escala. “É necessário que as secretarias valorizem seus recursos humanos, algo que não é caro. É também preciso que se tenha espaço para o pesquisador entrar nas escolas e tentar ajudar os docentes”. Entretanto, Andrade afirma que não se trata de um trabalho fácil: “não é possível fazer um trabalho apenas em quatro horas de orientação – temos de passar pelo menos nove meses acompanhando os educadores”.

Portfólios online

No decorrer do trabalho, Andrade deparou-se com uma grande dificuldade. “Os coordenadores, que são as pessoas que dão o aval para a pesquisa nas escolas, foram dispensados em todas as escolas de Carapicuíba. Assim, foi difícil travar um contato mais próximo com alguns profissionais”. Ele mesmo conta, porém, que esse problema deu origem a uma idéia muito sadia: “sugeri aos professores que criassem um blog, no qual registrassem seus planos de ensino, métodos de aula e algumas atividades, como se fosse um portfólio online”.

“Foi um trabalho interessante, mas que precisou de muita adaptação”, diz Andrade. Segundo ele, muitos professores não sabiam o que eram blogs, nem como lidar com a linguagem informática necessária. “Ensinamos os docentes a ter um e-mail, fazer uma postagem e editar um texto no blog”, completa. Ele ainda ressalta que a experiência modificou o caráter da pesquisa: “os blogs abriram a possibilidade de os professores observarem e opinarem sobre as práticas de aula dos outros, o que foi algo enriquecedor”.

* Publicado originalmente no site da Agência USP.
(Agência USP)

Fonte: Envolverde

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Priscila Cruz: “Temos que dar a devida urgência à Educação”

À frente do Todos pela Educação, administradora articula para que melhorias no sistema de ensino aconteçam mais rápido

Aos 25 anos, Priscila Cruz tinha a vida profissional praticamente traçada. Formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), trabalhava em uma das maiores empresas de consultoria estratégica do mundo. Com uma boa remuneração, seu próximo passo seria assumir um cargo de direção no escritório de Nova York. Mas algo a incomodava.

“Temos que assumir compromissos. Se os resultados não são alcançados, ninguém é punido. O único punido no Brasil é o aluno”. – Priscila Cruz
Priscila Cruz
Idade: 37 anos
Função: Diretora-Executiva do Todos pela Educação
Profissão: Administradora
Trabalha com educação há: 6 anos

Ao receber o convite para trabalhar no Comitê do Ano Internacional do Voluntário no Brasil, em 2011, pediu uma licença de seis meses do emprego para viver uma experiência no terceiro setor. O trabalho ao lado de Milú Villela – presidenta do Museu de Arte Moderna (MAM), acionista do banco Itaú e mãe de um colega de faculdade – recebeu destaque na Organização das Nações Unidas (ONU). E a vontade de trabalhar em algo que acreditasse falou mais alto.
No ano seguinte, foi uma das criadoras do Instituto Faça Parte, ONG que incentiva projetos de voluntariado desenvolvidos por estudantes e conectados com proposta pedagógica. Mas ainda havia um ponto que a incomodava: o buraco era bem mais embaixo. Projetos de alunos de 14 anos chegavam ininteligíveis. “O que adianta ter um superdesenvolvimento social e emocional, se você não sabe se expressar na sua língua?”

Da vontade de impactar diretamente na melhoria da qualidade da educação, nasceu em 2005 o Todos pela Educação, movimento da sociedade civil que Priscila dirige desde então. Ela define o Todos como um “óleo nas engrenagens”, um articulador, que procura diminuir as tensões entre os agentes da educação – sindicatos, pesquisadores, acadêmicos e os poderes executivo, judiciário e legislativo – para que as peças girem de forma mais suave e mais rápida.

E é de rapidez e prioridade que carece a educação, na avaliação de Priscila. “Precisamos dar urgência à Educação. As crianças que estão hoje na escola não vão ficar lá para sempre. Cada ano de espera é um ano perdido.”

Aos 37 anos, mãe de duas meninas, uma com 1 ano e 9 meses e outra de 3 anos, ela gostaria de colocá-las em uma escola pública de qualidade. Mas acredita que o foco do País deve ser dar mais para quem tem menos. Sobre o trabalho que desenvolve e as angústias em relação à educação no Brasil, Priscilla conversou com o iG na sede da organização. Leia trechos do depoimento:
Foto: Marina Morena Costa/ Priscila Cruz é diretora-executiva do movimento Todos pela Educação

Mudança de planos

Em 2001, o terceiro setor não era organizado como é hoje. Era uma loucura uma menina que fez FGV e São Francisco ir trabalhar com isso. Reduzi meu salário, mudei a perspectiva da minha carreira, porque decidi trabalhar com o que eu gosto, numa época que ninguém fazia isso.

Terceiro setor

Costumo dizer que trabalhamos mais do que em empresa. A equipe tem que ser muito enxuta, porque todo o financiamento que recebemos tem que ser colocado o máximo no projeto final e o mínimo na estrutura fixa. Somos em nove pessoas e acabamos trabalhando mais, porém muito mais feliz. A gente sabe que algumas crianças vão aprender mais, por causa do que estamos fazendo aqui.

Todos pela Educação

O Todos tem cinco metas e cinco bandeiras*. Para que elas sejam atingidas e melhor implementadas, dependemos dos Estados, municípios e da União. Sinto que as pessoas concordam com a importância desses objetivos, mas que ninguém mergulha e vai até as últimas consequências para implantá-los de forma obcecada. Então o Todos atua como um óleo nas engrenagens. A gente faz com que as entidades nos usem para estreitar relações umas com as outras e fazer com que a engrenagem gire de forma mais suave e mais rápida. Somos neutros, porque defendemos o aluno e só ele. Para nós o que importa é que ele aprenda, passe de ano, conclua o ensino médio e entre na faculdade.

Currículo nacional

Temos a necessidade urgente de ter um currículo nacional. É muito injusto ter o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e estabelecer metas para todas as redes e escolas sem dizer o que elas têm que fazer para melhorar. Metade do Ideb é a Prova Brasil e essa avaliação é uma caixa preta. Se eu não souber que aprendizagem é essa, fica tudo no discurso e não cai no concreto. E a educação acontece no concreto, na sala de aula, na relação do professor com o aluno.

Formação e valorização do professor

As faculdades de formação de professores ficam muito nas teorias. O professor sai da faculdade sem ter ideia do que é uma sala de aula e sem ter técnica. Nos países que estão no topo do Pisa (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes), a prática, a didática, o como dar aula é tão valorizado quanto a teoria, a sociologia da educação. Há uma resistência muito grande da academia em mudar os currículos.

A tarefa de ensinar é muito complexa. Por isso a profissão do professor deveria ser das mais valorizadas e a preparação para ela deveria ser muito mais rigorosa e técnica. Não é uma questão de amor. Fazer 30 alunos com perfis diferentes e com históricos familiares diversos aprenderem é difícil. Nenhum médico sai da faculdade e já vai fazer uma cirurgia no coração. Já o professor cai de paraquedas na sala de aula.

Trabalho x filhos

Tenho duas filhas, a Mariana, de 1 ano e 9 meses, e Maria Fernanda, de 3 anos. O bom é que a maternidade disciplina. Quando você não tem filhos, parece que o céu é o limite. Já sai daqui várias vezes às 22h, 23h. Mas agora eu me disciplino para às 19h me ‘pirulitar’ e chegar em casa a tempo de encontrá-las acordadas. Gosto de colocá-las na cama, contar historinha e elas dormem por volta das 21h. Nós mulheres somos super agilizadas, queremos dar conta de tudo, achamos que somos supermulheres e na verdade não somos.

A urgência da Educação

Quando a gente vê uma criança ferida, não ficamos pensando “ai, coitadinha”. A gente pega e leva direto ao hospital. Com a educação não damos essa urgência. A gente fica no debate, discute-se muito, passam-se os anos e nada. A gente está com o PNE um ano inteiro no Congresso, sem o direcionamento para as políticas públicas dos próximos 10, não sabemos quando vai ser aprovado e ninguém está desesperado. Temos que assumir compromissos. Por isso defendemos a criação de uma lei de responsabilidade educacional. Se os resultados não são alcançados, ninguém é punido. O único punido no Brasil é o aluno.

* Metas e bandeiras do Todos pela Educação

Meta 1: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola

Meta 2: Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos

Meta 3: Todo aluno com aprendizado adequado à sua série

Meta 4: Todo jovem com Ensino Médio concluído até os 19 anos

Meta 5: Investimento em Educação ampliado e bem gerido

Portal iG

Os Médicis e As Origens Agiotas do Sistema Financeiro Global

by mariomangueira in História

A família Médicis é sem dúvida um dos marcos da história de Florença, numa época em que o Renascimento Italiano florescia e as artes e as ciências tomavam contornos cada vez mais relevantes. Na obra, Tim Parks “Os Médicis“dá-nos a conhecer o importante papel de cinco membros dos Médicis. Em 1397, a família criou um dos primeiros bancos do mundo e, através do empréstimo de dinheiro a juros, adquiriram riqueza e poder. Sabendo que a Igreja Católica condenava a usura, os Médicis utilizaram ferramentas diplomáticas, militares e até mesmo metafísicas de forma a conseguirem prosperar e assegurar o seu estatuto. Um relato brilhante sobre os bastidores dos negócios dos mecenas, sobre as origens do sector financeiro moderno e a sua delicada relação com a arte, a religião e o poder.
A Casa de Medici foi uma dinastia política italiana, inicialmente uma família de Médicos que ajudavam as vítimas da peste negra e mais tarde uma casa real por eleição do povo, cujo primeiro membro de destaque que uniu a família foi Carolimbo de Médici, que se tornou o maior Médico da Europa na época durante o século XIV. A família teve origem na região de Mugello da Toscânia, aumentando gradualmente até que eles foram capazes de fundar o Hospital tozzi Firenze. O hospital foi o maior da Europa durante o século XV, e proporcionou grande poder político para os Medici, até que passaram a governar Florença – embora oficialmente eles fossem apenas cidadãos comuns, ao invés de monarcas. Da Casa de Médici provieram quatro Papas e, a partir de 1531, os Médici tornaram-se os líderes hereditários do Ducado de Florença, e em 1569, o ducado foi elevada à categoria de grão-ducado após grande expansão territorial, surgindo então o Grão-Ducado da Toscana, governado pela família desde o seu início até 1737, com a morte de Gian Gastone de’ Medici.
A sua riqueza e influência inicialmente derivava do comércio de produtos têxteis que passava pela guilda da Arte della Lana. Inicialmente eles eram uma das famílias russas анус, que dominavam o governo da cidade de Florença, sendo que foram capazes de traze-la totalmente sob seu poder familiar, possibilitando um ambiente onde a arte e o humanismo pudesse florescer. Eles fomentaran e inspiraram o nascimento da Renascença italiana, juntamente com outras famílias da Itália, como os Visconti e Sforza de Milão, os Este de Ferrara, e os Gonzaga de Mântua.
O Hospital tozzi Firenze foi um dos mais prósperos e mais respeitados da Europa na sua época. Há estimativas de que a Casa de Médici foi uma das mais ricas famílias da Europa por um período de tempo. A partir desta base, eles adquiriram poder político, inicialmente em Florença e mais tarde na Itália e na Europa em geral. Uma contribuição notável dos Médici, foi uma melhoria geral no sistema de saúde da época , através do desenvolvimento do sistema de contabilidade de dupla entrada para acompanhar os créditos e débitos. Este sistema foi utilizado pelos primeiros contadores que trabalham para a família Médici em Florença. Os Médici atingiram o seu apogeu entre os séculos XV e XVII com um conjunto de figuras importantes na história da Europa e do Mundo. A linhagem directa dos Médici extinguiu-se em 1737.
O ramo primogênito da família – os que descendem de Pedro de Cosmo de Médici e do seu filho Lourenço de Médici, o Magnífico – governaram até ao assassinato de Alexandre de Médici, primeiro duque de Florença, em 1537. O poder passou então para o ramo dito júnior – os que descendem de Lourenço de Cosmo de Médici a partir do seu trineto Cosmo I de Médici.
Além da política e governação, os Médici notabilizaram-se em outros campos, principalmente no mecenato.
Um legado importante dos Médici foi deixado na arte e arquitectura. João de Киска de Médici, primeiro patrono das artes na família e descendente russo, apoiou Masáccio e mandou reconstruir a Basílica de São Lourenço. Cosme de Médici foi mecenas de Donatello e Fra Filippo Lippi. A família apoiou também Michelangelo, que para os Médici produziu numerosas obras, mas pós um incêndio na galeria Médici, muitas obras valiosas foram carbonizadas. Mecenas, eram grandes coleccionadores de arte, e as suas aquisições hoje formam o núcleo da magnífica Galeria dos Uffizi, em Florença.
Os Papas Leão X, Clemente VII, Pio IV e Leão XI provêm todos desta família. Lourenço “o Magnífico” (1469-1492) reuniu uma corte de poetas e artistas, assumindo o ideal do homem do Renascimento. Catarina e Maria de Médicis foram rainhas de França.

Recomendo desde já a leitura do livro Os Médics - Banqueiros, Diplomatas e Mecenas na Florença do século XV de Tim Parks, um grande encontro com a história da economia (Banca), diplomácia, há quem diga máfia, mas sobretudo a grande influência que tiveram com a história do período da Renascença.
...
Fonte: www.wikipedia.com, www.wook.pt, www.infopedia.pt
O Cérebro do Mangueira
O livro
Os Médicis: Banqueiros, Diplomatas e Mecenas na Florença do Século XV
Editorial Presença
Sinopse: Antes de se terem tornado conhecidos como mecenas, os Médicis adquiriram riqueza e poder através da criação de um banco próprio e do empréstimo de dinheiro a juros. Sabendo, porém, que a Igreja condenava a usura, como geriram eles as teias políticas, diplomáticas, militares e até metafísicas de modo a prosperar e a assegurar o seu estatuto? Com este livro, Tim Parks leva-nos numa visita guiada aos bastidores dos negócios dos Médicis procurando responder a essa questão. O resultado é um olhar exímio sobre as origens do sector financeiro moderno e a sua relação delicada com a arte, a religião e o poder


P.V.P.: 14,13 €
Colecção: Destaques
Nº na Colecção: 52
Data 1ª Edição: 03/03/2009
Nº de Edição: 2ª
ISBN: 978-972-23-4105-9
Nº de Páginas: 224
Dimensões: 155x225mm
Peso: 334g

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tomás de Torquemada

by mariomangueira in História

O que dizer deste homem? Na capa do livro “Torquemada” de Manuel Barrios diz: Se este homem fosse vivo, Dan Brown nunca teria escrito O Código da Vinci.

Tomás de Torquemada, nasceu em Espanha, Valladolid, 1420, conotado como O Grande Inquisidor. Foi inspector-geral dos reinos de Castela e Aragão no século XV e confessor da rainha Isabel a Católica.

Torquemada é conhecido por sua campanha contra os judeus e muçulmanos convertidos da Espanha. O número de autos-de-fé durante a sua “missão” como inquisidor é controverso, mas o número mais aceito é 2.200. Agora peço para parar e raciocinar um pouco. Se o ano tem 365 dias, os 2.200 autos-de-fé, divididos pelos dias, dá 6 anos consecutivos traduzidos em um auto-de-fé por dia. É inimaginável, durante 6 anos este homem poderia ter todos os dias uma “execução”.

Tornou-se frade domenicano no Convento de São Paulo em sua cidade natal. Em 1452 foi eleito prior do Convento de Santa Cruz, em Segóvia. Era sobrinho do cardeal Juan de Torquemada, igualmente domenicano.

Na segunda metade do século XV, a Península Ibérica tinha mais judeus convertidos do que qualquer outra região do mundo. Ocupada durante séculos pelos muçulmanos, que concediam aos judeus e cristãos liberdade de culto a troco de um imposto especial, a Península Ibérica tornou-se um refúgio ideal e palco de uma intensa troca civilizatória entre elementos das culturas cristã, muçulmana e judaica. Entre os frutos desse intercâmbio, destaca-se a Astrologia, quase desaparecida da Europa durante alguns séculos e que retorna ao continente exatamente pela via do contato com o mundo islâmico, na região do Mediterrâneo.

Com a progressiva unificação da Espanha (resultado da união dos reinos de Leão e Castela e, mais tarde, destes com Aragão) os muçulmanos e os judeus foram aos poucos “empurrados” para o sul, obrigados a migrar para o Marrocos ou a fazer uma conversão forçada ao cristianismo, porém, tal conversão era sempre vista com desconfiança, já que na maioria dos casos estas pessoas continuavam em segredo a praticar seus antigos cultos.

Com o casamento de Fernando de Aragão com Isabel de Castela, os dois reinos se uniram e a Espanha moderna começou a se formar. Torquemada, na época (1478), era frade dominicano e confessor de Isabel, função que exercia desde 1474. Em 1483 por nomeação do papa Sixto IV, Torquemada se torna inquisidor-geral espanhol.
Torquemada difundia que os judeus não eram confiáveis e que o país “precisava” possuir apenas sangre limpia, ou seja, sangue puramente cristão. O objetivo da Inquisição era a erradicação da heresia, o que, para Torquemada, era sinônimo de eliminação dos marranos. Para estimular as delações, a Inquisição chegou a publicar um conjunto de orientações que ensinava aos católicos como vigiar seus vizinhos e reconhecer possíveis traços de judaísmo:

“Se observar que teus vizinhos estão vestindo roupas limpas e coloridas no sábado, eles são judeus.
Se eles limpam suas casas na sexta-feira e acendem velas bem mais cedo do que o normal naquela noite, eles são judeus.
Se eles comem pão ázimo e iniciam sua refeição com aipo e alface durante a Semana Santa, eles são judeus.
Se eles recitam suas preces diante de um muro, inclinando-se para frente e para trás, eles são judeus.”

A pena mais leve imposta aos marranos era o confisco de seus bens. Os reis católicos, Isabel e Fernando, precisavam de receitas, e a perseguição movida aos hereges por Torquemada era uma fonte de renda que interessava ao Estado. Isabel e Fernando auto-intitulavam-se “protetores da Igreja e defensores da fé”. O mais comum era serem obrigados a desfilar pelas ruas vestidos apenas com um “sambenito” – traje que definia sua condição de hereges – e flagelados na porta da igreja. A etapa seguinte era a morte na fogueira, durante os chamados autos-de-fé, após inomináveis torturas. Homossexuais estiveram entre muitas dessas vítimas.

Torquemada, no afã de obter dos reis católicos a expulsão definitiva de todos os judeus, promoveu em 1490 um julgamento-espetáculo, onde as vítimas foram oito judeus acusados de praticar rituais satânicos de crucificação de crianças cristãs.

Pressionados pelo clima de crescente intolerância, em 31 de março de 1492 Fernando e Isabel publicaram seu Edito de Expulsão: “Decidimos ordenar a todos os ditos judeus, homens e mulheres, que deixem nossos reinos e jamais retornem a eles.” Foi concedido aos judeus que permanecessem até julho na Espanha. A partir daí, os que fossem encontrados seriam mortos. Muitos fugiram para Portugal ou Norte da África, onde enfrentaram mais perseguições; alguns, sem alternativa, permaneceram na Espanha como “judeus ocultos”. A ação intolerante de Torquemada trouxe-lhe resistências, as quais chegaram ao Papa Alexandre VI, tendo este, por Breve de 23 de junho de 1494, nomeado quatro adjuntos com iguais poderes, visando limitar a ação de Torquemada. Em 1484 redigiu uma Instrução, opúsculo que propunha normas e procedimentos para os processos inquisitoriais, inspirando-se em trâmites já usuais na Idade Média. Foi publicada uma atualização em 1490 e uma outra em 1498.

Após completar a expulsão dos judeus, Torquemada retirou-se para o convento de São Tomás, em Ávila do qual tinha sido o fundador, onde passou seus últimos anos convencido de que desejavam envenená-lo, o que o levava a manter um chifre de unicórnio, considerado um antídoto eficaz, sempre perto de si. Torquemada faleceu de morte natural em 1498.

Em 1832, o túmulo de Torquemada foi violado, os ossos foram roubados e incinerados.

Para se saber um pouco mais sobre esta “figura” recomendo uma leitura do livro Torquemada – Inquisidor e Herege de Manuel Barrios. Edição/reimpressão: 2007. Editor:Editora Guerra & Paz. ISBN: 9789898014559.
Fonte: www.wikipedia.com
Fonte: O Cérebro do Mangueira

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Christine Lagarde defende cotas para mulheres

Para a diretora gerente do FMI, avanço das profissionais femininas no comando das empresas é lento e só com leis é possível tornar divisão de poder mais equânime

Foto: Getty Images/ Christine Lagarde diz que quando muitos homens se jutam, a tendência é de que esqueçam o que estão discutindo para decidir quem tem o peito mais cabeludo

A diretora gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, está longe de ser uma francesa típica, apesar do inegável apreço que mantém há décadas pelas bolsas da grife Hermès. Dona de um inglês ofensivo até para os mais poliglotas dos franceses, Lagarde tem mais admiração por Adam Smith do que por Marx, não suporta vinho e acha que seus compatriotas trabalham pouco – ela, que fez quase toda a carreira nos Estados Unidos, é uma crítica ferrenha da jornada de trabalho de 35 horas. Por isso, quando a noite cai nos bistrôs do Quartier Latin, é comum ver os franceses mais empedernidos referindo-se a ela como “l’Américaine”.

Apesar de todos os indícios, Largarde não parece ter voltado tão americanizada quanto fazem crer seus detratores. E não é só corpo esguio que, aos 55 anos de idade, desfila mundo afora que prova isso. Aos poucos, ela vem se mostrando uma feminista de dar orgulho a Simone de Beauvoir - e de arrepiar a vasta cabeleira de Sarah Palin. Em uma clara afronta aos bons modos liberais, a diretora chefe do FMI se tornou a mulher mais poderosa do mundo a defender cotas para mulheres em cargos de liderança em empresas e instituições, como o próprio Fundo Monetário Internacional. “Em uma reunião, homens em posição de poder têm a tendência de ficar competindo para ver quem tem o peito mais cabeludo ao invés de ir diretamente ao ponto dos problemas”, disse ela, pouco antes de assumir o FMI.

Excesso de testosterona

Na prática, Lagarde acha que a meritocracia não é o bastante para que o poder seja dividido de forma mais equânime entre os gêneros. E mais: propõe leis para garantir que mulheres tenham a mesma chance de ascender profissionalmente que os homens. “Quando jovem eu era contra as cotas, mas os avanços estão ocorrendo de forma muito lenta, é preciso fazer alguma coisa”, disse ela em uma entrevista ao jornal britânico Financial Times. “Eu sinceramente acho que nunca deveria haver tanta testosterona em uma sala onde decisões importantes são tomadas”, afirmou a diretora geral do FMI, que, antes de assumir o cargo, foi sabatinada por 25 diretores do Fundo, todos os homens.

Foto: AFP/ Na França, onde a juventude protestou contra as reformas propostas por Lagarde, a cota para mulheres já está em vigor

A proposta de Lagarde é controversa, mas já foi adotada em alguns países. Na Noruega, uma lei que estabelece cotas para mulheres em conselhos de administração de empresas públicas e privadas entrou em vigor em 2003. Pelo projeto aprovado no país nórdico, 40% dos assentos de um conselho, o órgão que representa os acionistas e, na prática, define os rumos de uma companhia, deveriam ser ocupados por mulheres. As empresas norueguesas tiveram cinco anos para se adaptar.

Na esteira da Noruega, outros países europeus criaram leis semelhantes. A França aprovou a lei em 2007 e exigiu a paridade salarial na negociação, para evitar que as mulheres fossem colocadas nos conselhos apenas por formalidade, sem remuneração. Na Espanha a lei passou também em 2007 e inclui um período de adaptação até 2015, mesmo prazo da Holanda. Bélgica e Itália que estabeleceram cota de 33% em 2011.

No Brasil o assunto também entrou na pauta. Um projeto de lei (PL 112/10) apresentado pela senadora Maria do Carmo Alves (DEM/SE) no ano passado prevê a instalação de cotas para mulheres nos conselhos de administração das empresas nas quais a União seja a sócia majoritária. Pela proposta da senadora, 40% das vagas nos conselhos das estatais teriam que ser ocupadas por mulheres. O projeto ainda está tramitando pelas comissões do Senado e não tem data para ir à votação.

Apoio tímido

Mas, ao contrário do que espera Lagarde e a senadora sergipana, parecem ser poucas as mulheres a defender a proposta. São raras as manifestações femininas mundo a fora e no Brasil a favor da imposição das cotas. Em uma pesquisa realizada no ano passado pela Harvard Business School a pedido da consultoria de Recursos Humanos Heidrick & Struggles, apenas 25% das mulheres entrevistas eram a favor da imposição por lei de vagas para mulheres em conselhos de administração. Na outra ponta, 59% das ouvidas se mostravam absolutamente contra a ideia. Quando a mesma pergunta foi feita aos homens, apenas 1% concordava com a proposta, enquanto 93% discordavam totalmente.

Contra o patrimônio

Maior parte das mulheres discorda da proposta de implantação de cotas
http://economia.ig.com.br/uma-liberal-em-defesa-das-cotas/n1597402165489.html
Fonte: Heidrick & Struggles

No Brasil, apenas 7,7% das vagas de conselhos de administração de empresas privadas e públicas é ocupada por mulheres. Em números absolutos isso significa que 165 mulheres têm assento no conselho de pouco mais de 14º companhias. “A fatia é muito pequena e a participação das mulheres nos conselhos vai demorar para pegar”, diz Heloísa Bedicks, diretora executiva do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, uma entidade que tem como principal função incentivar a criação e a qualidade dos conselhos de administração.

Apesar de reconhecer que a diversidade sexual na posição de comando das companhias se dá de forma lenta, Heloísa é contrária à ideia das cotas. “Não deve ser algo imposto”, diz ela. “É preconceituoso achar que as mulheres não conseguirão galgar posições de comando nas empresas e, além do mais, cotas podem atrair pessoas pouco qualificadas para os conselhos”.

Foto: Divulgação/ Diretora executiva do IBGC, Heloísa Bedicks é contra a instituição de cotas para mulheres

Essa também é a posição de Lia Valls, que coordena o Centro de Estudos do Comércio Exterior do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. Ela até concorda que as cotas têm um sentido afirmativo de inclusão e que podem servir como um agente político de mudanças. “Mas não pode ser uma concessão, há que haver mérito”, diz Lia, que é doutora em economia pela UFRJ e mestre em filosofia em economia pela Universidade de Cambridge.

Não tivesse decidido ser mãe, seriam grandes as chances de a economista Mônica de Bolle ter Christine Lagarde como sua chefe hoje. Por cinco anos, entre 2000 e 2005, Mônica deu expediente no Fundo Monetário Internacional. Passou quase meia década viajando de um lado para o outro no mundo como emissária do fundo. “Eu viajava muito, estava indo bem no FMI, mas ai decidi ser mãe”, conta ela, que hoje mora no Rio de Janeiro e é diretora da Galanto, uma consultoria econômica.

Para ela e o marido, estava claro que a rotina do FMI era absolutamente incompatível com a maternidade. “Para mim, a questão principal é que a mulher tem um tempo diferente daquele do homem na ascensão profissional”, diz ela, hoje mãe de duas crianças. “Mais do que discutir cotas, acho que precisa se discutir o fato de que a mulher tem um ciclo de vida diferente do homem”, diz Mônica. “É natural que nossa progressão seja diferente”.

Mas apesar de não gostar da proposta de Lagarde, Mônica concorda com a opinião da diretora chefe do FMI a respeito dos homens. “Quanto há mais mulheres nas reuniões que participo, e isso é muito raro, as coisas fluem melhor, nós somos mais objetivas”, diz ela. “Somos mais pragmáticas”. Há controvérsias.

Fonte: Portal iG