Quem sou eu

Minha foto
"Quando começares a tua viagem para Ítaca, reza para que o caminho seja longo, cheio de aventura e de conhecimento...enquanto mantiveres o teu espírito elevado, enquanto uma rara excitação agitar o teu espírito e o teu corpo." ...Konstantinos Kaváfis,trad.Jorge de Sena in Ítaca
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários; portanto, não será publicado comentários que firam a lei e a ética.
Por ser muito antigo o quadro de comentário do blog, ele ainda apresenta a opção comentar anônimo, mas, com a mudança na legislação

....... NÃO SERÁ PUBLICADO COMENTÁRIO ANÔNIMO....
Mostrando postagens com marcador Economia. Henry Ford. Pessoas. Thomas Edison.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Henry Ford. Pessoas. Thomas Edison.. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

1921: uma visão do futuro

T. Edison (Esq.) e H. Ford (Dir.)

Em 1921, Henry Ford e Thomas Edison, os dois génios da época nos campos da tecnologia industrial e das invenções técnicas de todos os tipos, publicaram dois relatórios no New York Times, nos dias 4 e 6 de Dezembro, para contrastar a ideia do governo federal acerca da emissão dos Títulos de Estado, ou seja, contra o facto de que o Estado contraísse dívidas.

Ford e Edison ao longo de toda a vida explicaram que é um erro de conceito permitir que o Estado possa contrair dívida com a emissão de Título de 3, 5 ou 10 anos com interesses de 4 ou 5%, e que estes Títulos sejam adquiridos por bancos nacionais e estrangeiros.

Desta forma, de facto, os contribuintes acabam, após algum tempo, com o pagar os impostos apenas para pagar os interesses acumulados da dívida; interesses que acabam nos bolsos dos banqueiros e dos investidores internacionais.

E as contas são simples: com um interesse de 5%, após 20 anos a soma devolvida é o dobro do original, após 40 anos o triplo.


Criação de dívida ou de dinheiro

...

Edison e Ford, pelo contrário, avançar com outra proposta: emitir não Títulos mas Dólares, isso é, notas. Pois as notas não pagam interesses.

Um exemplo.
Se o Estado precisar de 100€, actualmente emite Títulos de Estado por um valor total de 100€.
Os bancos e os investidores adquirem os Títulos, isso é, entregam o dinheiro em troca dum certificado com o qual o Estado empenha-se a reembolsar o montante num determinado prazo, obviamente com os relativos interesses.
Desta forma, o Estado obtém os 100€ desejados e banco e investidores ganham os juros.
Esta, só para lembrar, é a origem das nossas actuais desgraças, a conhecida questão da dívida pública (pois, de facto,o Estado contrai uma dívida).

Na visão de Edison e Ford, as coisas funcionam de forma diferente.
O Estado precisa de 100€?
Então imprime 100€. E ponto final.

Dito assim até parece simples. Em verdade a coisa é um pouco mais complicada: quanto mais dinheiro houver em circulação, mais baixo será o valor do dinheiro. Esta é chamada de inflação.

Mas se as notas são emitidas numa percentagem razoável e são gastas para trabalhos de utilidade pública ou infraestruturas, não criam inflação e evitam que o Estado (isso é, todos nós) fique mergulhado numa espiral de dívidas.
Verdade, desta forma bancos e investidores não ficam muitos satisfeitos, pois não ganham nada.
Mas afinal o Estado serve para quê? Para o bem estar dos contribuintes ou para os lucros de poucos?

Assim, Henry Ford e Thomas Edison percebiam um problema que dúzias de economistas, que nunca inventaram algo e que nunca criaram tecnologia, parecem não entender.
Afirmava Edison:
Ford acha estúpido, e o mesmo penso eu, que para obter um financiamento de 30.000.000 Dólares (dinheiro deles), o povo dos Estados Unidos seja obrigado a pagar 66.000.000 Dólares no fim, total que será pago após 20 anos com os juros dos Títulos de Estado.
Com o nosso sistema, pessoas que nunca na vida trabalharam ganham lucros enormes, muito mais dinheiro daqueles que efectuam os trabalhos. Esta é a coisa terrível acerca dos juros.
Em todas as emissões de Títulos de Estado, o total dos interesses finais é sempre maior do que o montante original.
E isso significa que todas as obras públicas acabam com o custar o dobro do que realmente é preciso, pois com o nosso sistema acrescentamos sempre 120 ou 150% ao custo original.

O controle da moeda



O problema atrás desta questão? O controle da moeda.

Um assunto acerca do qual voltaremos a falar.

Por enquanto deixo uma reflexão.
Porque o governo pode emitir Títulos de Estado mas não pode imprimir notas?


Quando um governo emite Títulos, este têm valor porque o Estado garante por eles. E o Estado garante porque existem os contribuintes.

O lucro dos bancos e dos investidores é criado porque os contribuintes garantem a validade dos Títulos. Pedaços de papel que depois são vendidos, negociados, utilizados para compras, trocas: valem só e exclusivamente porque há contribuintes que pagam por isso.

Porque, então, os contribuintes não podem ter o direito de imprimir notas, que não pagam interesses, para subvencionar obras públicas ou infraestruturas?

Porque é obrigatório que bancos e investidores possam ganhar até quando os contribuintes empregam o próprio dinheiro para financiar obras úteis à comunidade?

Nota
Para aprofundamentos:
Inflação ou deflação?
Quem cria o dinheiro?

Fonte: Informação Incorreta