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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sobre a loucura

As diferentes posturas em relação à loucura mostram que, ao longo da história, o juízo de valor foi o principal termômetro da normalidade. O discurso do dominante sempre vence, ou culturalmente ou segundo os interesses mercadológicos. O mais triste é quando a classificação e a marginalização são decorrentes de preconceito do que se é ainda desconhecido.
Para "amenizar" essa dura realidade vamos contrapor um poema do magistral Khalil Gibran.
A conclusão fica a critério de cada um.

" O Louco" - Khalil Gibran

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu
havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um rapaz no cimo do telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras.

E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!”

Assim tornei-me louco.

E encontrei tanta liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Duas músicas que remetem ao tema

Balada do Louco
Ney Matogrosso
Composição: Arnaldo Baptista / Rita Lee



Balada para un loco
Roberto Polaco Goyeneche
Composição: Piazzolla y Ferrer

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