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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Brasil ainda precisa de Paulo Freire


Paulo Freire é mais reconhecido no exterior, ainda nos dias atuais, do que aqui no Brasil.

Nossa estreita mentalidade colonial possui a tendência de "copiar" e mal o que vem de fora. Santo de casa não faz milagre já dizia um ditado popular.

Há 50 anos, Paulo Freire tentou transformar o país

Grande figura humanista era o educador Paulo Freire, que há 50 anos, em comunidades localizadas no interior de Pernambuco e também em áreas populares de Recife, tentou efetivar um processo de transformação social do Brasil.

Ele era formado em direito pela Universidade do Recife, mas preferiu ser educador. Num método bem simples, mas também revolucionário.

Era um processo que, aparentemente, parecia improvisado. Mas não era. Consistia num grupo de educadores e pesquisadores se instalarem numa comunidade popular e, assim, observar as falas, os hábitos, costumes, crenças, rituais e outros aspectos comunitários.

A partir de dados colhidos, eles elaborariam um repertório de palavras básicas, denominadas "temas geradores", que seriam ensinados nas aulas a serem realizadas. Cada palavra era dividida em fonemas, e estes eram inseridos em famílias silábicas, que, agrupadas, serviam para estimular os educandos (como eram chamados os alunos, diante dos mestres que eram chamados de educadores-animadores) a formarem novas palavras, a partir da experiência oral cotidiana.

Por exemplo, a palavra "trabalho" era dividida em três sílabas: TRA-BA-LHO.

A partir daí, as sílabas eram inseridas em famílias silábicas da seguinte forma:

TRA - TRE - TRI - TRO - TRU
BA - BE - BI - BO - BU
LHA - LHE - LHI - LHO - LHU

Com isso, o educador-animador (Freire preferia não chamá-lo de "professor") estimulava os educandos a criarem novas palavras a partir desses grupos de sílabas.

Com isso, a partir da livre escolha dos educandos, palavras como "bolha", "tralha", "trilho" e "tribo" eram também aprendidas, a partir das referidas famílias silábicas onde se insere o tema gerador "trabalho".

Depois eram feitos exercícios de redação, após aprendido um repertório significativo de palavras. A partir daí, estimulava-se os educandos a escrever sobre suas próprias experiências. Podia ser a brincadeira de um grupo de crianças, mas podia ser também a realidade opressora do trabalho alienado. Mas era sempre algum fato ligado ao cotidiano vivenciado pelos educandos.

Um político do Rio Grande do Norte, em 1963, apresentou Paulo Freire ao presidente João Goulart. O político, entusiasmado, afirmou que, com o Método Paulo Freire, o mapa eleitoral do Brasil mudaria drasticamente. Freire se tornava cada vez mais conhecido pelo seu projeto, que rompia com a relação hierárquica entre professor e aluno e fazia os professores também aprenderem com os alunos, através da realidade comunitária.

Freire não pode levar seu projeto adiante porque veio o golpe militar, a ditadura e o fim de qualquer experiência de progresso social. Freire foi ser brasileiro fora do seu país, e em outros países, implantou seu método, o que resultou no reconhecimento a sua obra.

Depois, com a redemocratização, algumas comunidades até tentaram implantar o Método Paulo Freire. Mas os estragos da ditadura militar foram muito fortes para que a transformação antes imaginada seja continuada.

Por isso vale estudarmos, apreciarmos e até debatermos Paulo Freire e sua obra. Porque o Brasil continua precisando dele, 14 anos após seu falecimento. Sua simplicidade e sabedoria foram uma grande contribuição para a cultura popular, sempre respeitando a inteligência das classes mais pobres e procurando melhorá-la e livrá-la do jugo do coronelismo opressor."
Fonte: Blog Mingau de Aço

Um comentário:

  1. "O que devo pretender não é a neutralidade da educação, mas o respeito, a toda prova, aos educandos, aos educadores. O respeito por parte da administração pública ou privada das escolas. É por isto que devo lutar sem cansaço. Lutar pelo direito que tenho de ser respeitado e pelo dever que tenho de reagir a que me destratem. Lutar pelo direito de ser você mesmo e nunca, jamais, lutar por essa coisa impossível, acinzentada e insossa que é a neutralidade. Que é mesmo a minha neutralidade senão a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder minha opção ou meu medo de acusar a injustiça? “Lavar as mãos” em face da opressão é reforçar o poder do opressor, é optar por ele." (Paulo Freire)

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