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quinta-feira, 7 de março de 2013

Os filhos na creche e a pressa por melhora no ensino médio


Meus filhos acabaram de entrar na creche e minha maior preocupação em relação ao percurso escolar deles é o ensino médio. Faltam mais ou menos 14 anos para chegarem lá. Só isso. Já seria pouco tempo diante do bordão de especialistas da educação de que mudanças na área levam 30 anos, mas é um intervalo desesperadamente curto ao considerar quanto a etapa evoluiu nos últimos 12 anos: nada.

Como divulgado no dia 6 pelo movimento Todos pela Educação, de cada dez pessoas que se formaram no ensino médio, nove não aprendem o esperado em matemática e sete não sabem o mínimo de língua portuguesa. O dado se repete desde 1999, ou seja, toda a geração que tem entre 18 e 30 anos foi exposta a um ensino falido na adolescência – quem aprendeu, fugiu à regra.
Nesses números está contada a rede particular. Quando separadas apenas as escolas públicas, o poço é ainda mais fundo: só 5,2% teve resultado mínimo em matemática e 23,3% em língua portuguesa. Ainda que índices devam ser analisados com contexto, sobram motivos para duvidar da capacidade do ensino médio como o iG mostrou na série especial “A pior etapa da educação do Brasil”, em 2011.

De lá para cá houve anúncios que ganharam as manchetes. O Conselho Nacional de Educação aprovou um novo currículo no mesmo ano e, em 2012, o Ministério da Educação alardeou que faria propostas para colocá-las em prática. Na sala de aula, no entanto, a rotina segue igual. Em 2013 haverá nova Prova Brasil, avaliação que serve de base para os indicadores, e já se espera que os 12 anos de estagnação se transformem em 14.
Mesmo que alguns pais corujas pensem que suas crianças estarão entre as exceções, podem imaginar o quanto perderão ao estudar anos em grupos em que a maioria não consegue aprender o mínimo. Até quem pretende dar suporte aos filhos em casa ou aposta em reforços terá dificuldades maiores em fazê-lo nesta etapa diante da complexidade dos conteúdos.
O acompanhamento ao longo dos anos também permitiu saber que não adianta esperar que uma turma com mais conhecimentos básicos resulte em um ensino médio melhor. O fundamental, ainda que continue com problemas sérios, só melhorou nos índices desde 1999, mas quando as crianças chegam à adolescência empacam como as turmas anteriores.
Ou seja, o ensino médio, mais do que o infantil e o fundamental, depende da qualidade da escola. Isso passa por mudanças tão difíceis como a revisão do currículo ou a mudança na formação dos professores. É ou não motivo para quem tem criança pequena se preocupar desde agora?
Autor: Cinthia Rodrigues (Jornalista de Educação e mãe de alunos matriculados na rede pública de ensino).

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